
Percorrer as ruas de Cachoeirinha e fazer uma pergunta aparentemente simples como "qual é o nome do prefeito ou da prefeita?" pode resultar atualmente em mais de uma resposta. Confusão que resume o momento político do município de 141 mil habitantes na região metropolitana de Porto Alegre.
— Nenhum — responde a funcionária de escola Juliana Leal Cardoso, em uma parada de ônibus na Avenida Flores da Cunha na manhã desta terça-feira (19).
No sábado (16), a juíza eleitoral Suelen Caetano de Oliveira cassou os mandatos da prefeita Jussara Caçapava (Avante) e do vice-prefeito, Luis Carlos Azevedo da Rosa, o Mano (PL). Apesar disso, eles seguem no cargo porque ainda é possível recorrer da sentença ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e, eventualmente, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A dupla havia sido eleita em eleição suplementar após a cassação, via processo de impeachment na Câmara de Vereadores, dos mandatos do então prefeito, Cristian Wasem (MDB), e do vice, Delegado João Paulo Martins (PP).
A possibilidade de escolher um terceiro prefeito para cumprir o mandato até o final de 2028 preocupa moradores. Entre os comentários, o receio de haver a interrupção de serviços públicos — como limpeza urbana e obras.
— Se eles saírem de novo, os dois, se vai ter outra eleição ou não, a gente não sabe. Mas daí o povo já não vai querer mais votar, porque nessa última, acho, 43% das pessoas não votaram — resume a aposentada Marisa Fernanda.
A abstenção na eleição suplementar de Cachoeirinha, realizada em 12 de abril foi de 42,22%. Dos 102.143 eleitores aptos, compareceram às urnas 58.173.
Segundo a decisão judicial de sábado, a chapa de Jussara Caçapava teria utilizado estrutura pública, como servidores municipais e equipamentos da prefeitura, para promoção eleitoral em redes sociais. A defesa informou que vai tentar a reverter a decisão ainda no primeiro grau da Justiça Eleitoral.
— É uma confusão. Escapa do demônio e pega o capeta — brinca, entre risos, o despachante imobiliário José Carlos da Rocha.





