Nesta quinta-feira (14), a Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias contra o sistema financeiro que teriam sido causadas pelo Banco Master. A ofensiva de hoje subiu um degrau na hierarquia do clã Vorcaro, prendendo Henrique Vorcaro, pai de Daniel, sob acusação de ocultar R$ 2,2 bilhões provenientes de fraudes.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso envolvendo o Banco Master na Suprema Corte, que autorizou novas prisões (leia a íntegra abaixo) na Operação Compliance Zero, expõe uma estrutura criminosa complexa, com divisão de tarefas, infiltração em órgãos públicos e atuação simultânea no mundo físico e digital.
O documento revela que o grupo investigado operava por meio de duas estruturas — conhecidas como “A Turma” e “Os Meninos” — responsáveis por executar ordens do núcleo central da organização ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
- “A Turma”: responsável por ações presenciais, como ameaças, intimidações, levantamentos clandestinos e obtenção de dados sigilosos. O pai de Daniel, preso nesta quinta-feira (14), faria parte.
- “Os Meninos”: núcleo tecnológico, dedicado a ataques cibernéticos, invasões, derrubadas de perfis e monitoramento ilegal.
Ambos atuavam de forma coordenada e eram gerenciados por Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, apontado como operador central das ordens, com ligação direta com Daniel Vorcaro.
Banco Master
Papel do pai de Vorcaro: financiador e demandante
A decisão detalha que Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário, exercia papel estratégico dentro da engrenagem: além de solicitar serviços ilícitos, ele também financiava o grupo.
Conversas interceptadas indicam pagamentos mensais da ordem de R$ 400 mil apenas para o núcleo “A Turma”, dentro de um esquema que girava cerca de R$ 1 milhão por mês para sustentar as atividades da organização.
Segundo o STF, há indícios de que Henrique manteve contato contínuo com os operadores mesmo após o início das investigações, reforçando a contemporaneidade das ações e o risco de continuidade delitiva.
Daniel Vorcaro teria utilizado as contas do pai para esconder R$ 2,2 bilhões que deveriam ter sido usados para ressarcir vítimas de fraudes financeiras.
Infiltração e uso indevido da máquina pública
Um dos pontos mais sensíveis revelados pela decisão é a presença de agentes públicos no esquema, incluindo:
- policiais federais da ativa;
- policiais aposentados;
- uma delegada da PF.
Esses agentes seriam responsáveis por acessar sistemas internos e repassar informações sigilosas, incluindo dados de investigações em andamento, aos integrantes da organização.
Núcleo tecnológico: hackers e guerra digital
O braço digital, liderado por David Henrique Alves, operava com perfil semelhante ao de um grupo de cibercrime estruturado. Entre as atribuições:
- derrubada de perfis críticos;
- monitoramento ilegal de alvos;
- invasão de dispositivos;
- manipulação de reputação online.
Confira a íntegra da decisão que autorizou a prisão do pai de Daniel Vorcaro
O grupo era remunerado por meio de empresas, o que, segundo a PF, conferia aparência de legalidade aos pagamentos.
A face violenta: ameaças e intimidação
Investigada pela PF, "A Turma" não era apenas um grupo de mensagens, mas uma estrutura dedicada a "moer" (termo usado pelo próprio Vorcaro) quem cruzasse o caminho do Banco Master.
- O coordenador: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Felipe Mourão".
- O codinome: nos sistemas e conversas, era chamado de "Sicário".
- O salário: recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para gerenciar a estrutura.
- O desfecho: Mourão morreu na superintendência da PF em Minas Gerais após ser preso em fases anteriores da operação.
Fluxo financeiro
A investigação também identificou uma engrenagem para ocultar o fluxo financeiro:
- uso de empresas para emissão de notas fiscais;
- interpostas pessoas para receber valores;
- circulação indireta de recursos para ocultar beneficiários finais.
Fundamentação para as prisões
Ao autorizar as prisões preventivas, o ministro André Mendonça destacou:
- a existência de uma organização criminosa estruturada e ativa;
- o risco de reiteração dos crimes;
- a possibilidade de intimidação de testemunhas e ocultação de provas;
- a continuidade da atuação mesmo após fases anteriores da operação.
Segundo o STF, medidas alternativas não seriam suficientes para conter o funcionamento do grupo.
O grupo já havia sido alvo da terceira fase da operação, em março, quando foi identificado seu coordenador: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Sob o comando de Mourão, a rede mantinha uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e à extração de dados sensíveis.
"Sicário"
De origem espanhola, o termo "sicário" é utilizado para designar executor de crimes sob encomenda, especialmente homicídios, associado à figura de mercenário ou matador contratado.
Segundo a investigação do caso Master, o apelido indicaria a natureza de suas funções dentro do grupo, voltadas à realização de tarefas sensíveis, monitoramento de alvos e eventual operacionalização de medidas de intimidação determinadas por Vorcaro.
Em troca desses serviços, ele receberia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro. Os pagamentos seriam feitos por Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema.
Sicário morreu na superintendência da PF em Minas Gerais após ser preso em uma fase anterior.










