
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), nome da oposição melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto, apresentou ideias para o futuro do Brasil nesta sexta-feira (10), no Fórum da Liberdade, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.
Sob o tema geral "Presidenciáveis: qual o jeito para o Brasil?", o painel teve a economia, a segurança pública, as instituições e o Estado democrático de direito como eixos específicos. Entre os pontos mais enfatizados estiveram críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será candidato à reeleição, e também ao Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente ao ministro Alexandre de Moraes.
No bloco temático sobre economia, Flávio foi questionado pela plateia sobre o fato de as propostas que apresentou até o momento terem sido consideradas genéricas.
— Infelizmente, vocês vão continuar ouvindo propostas genéricas da minha parte por enquanto, porque estamos em pré-campanha. A gente precisa mostrar o norte, sabemos o que tem de ser feito a partir do dia 1º de janeiro, mas, se dermos detalhes, começa a ser usado contra a campanha — alegou Flávio.
Apesar disso, o senador afirmou que a reforma tributária aprovada no governo Lula precisa ser atualizada. Ele demonstrou ceticismo quanto à avaliação de que a nova legislação trouxe simplificação. Cinco impostos municipais, estaduais e federais sobre o consumo foram unificados em dois tributos.
Flávio também criticou a taxação da exportação do petróleo brasileiro. A medida foi tomada pelo governo federal para compensar a isenção de tributos federais sobre o diesel no mercado interno, o que causou redução de R$ 0,32 no preço do litro em meio à crise mundial dos combustíveis, consequência da guerra no Oriente Médio. Ainda na economia, o senador defendeu melhor ambiente para a atração de negócios.
No eixo da segurança pública, Flávio considerou um avanço a aprovação da Lei Antifacção no Congresso, que fez alterações em uma proposta original do governo. A norma elevou o tempo de reclusão para líderes de organizações criminosas. No Senado, foi estimado pelos parlamentares que cabeças de facções podem receber penas de até 60 anos. A progressão de regime também foi endurecida: integrantes de facções ou milícias precisam cumprir entre 75% a 85% da pena no regime fechado, dependendo das circunstâncias. A norma entrou em vigor em março.
— A alteração da nossa legislação penal, acabamos de aprovar no Congresso Nacional, vai deixar os marginais perigosos muito mais tempo presos. Com mais tempo de condenação, vamos ter que construir muitos presídios para dar conta e para que a polícia pare com o retrabalho de prender e o Judiciário soltar — disse o senador.
Ele afirmou que um dos seus objetivos é retirar territórios brasileiros do domínio de facções.
— O único jeito é prendendo ou neutralizando esses marginais — declarou Flávio.
Ele criticou a posição contrária de Lula à classificação de facções como organizações terroristas por receio de que isso abra brecha para intervenções estrangeiras no Brasil. Ainda sobre temas internacionais, Flávio negou que seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, tenha defendido a taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Relação com o Judiciário
No final, o tema mais candente foi a relação com as instituições, sobretudo o STF. Ele afirmou que pretende realizar uma reforma do Poder Judiciário. Mencionou tópicos como a restrição de decisões monocráticas de ministros, aquelas que são tomadas de forma individual, e também uma possível contenção a despachos da Corte que pretendam revogar leis aprovadas pelo Congresso Nacional.
Questionado sobre a aprovação da anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista, o que poderia beneficiar o seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, Flávio afirmou que "não é candidato só por isso". Ele avaliou que a anistia é um tema do Congresso.
O pré-candidato também lembrou que o impeachment de ministros do STF cabe ao Senado e manifestou convicção de que a renovação da Casa em dois terços na eleição de 2026 levará à remoção de ministros.
Respondendo pergunta da plateia sobre a possibilidade de a Corte declarar inconstitucional uma proposta de anistia, Flávio afirmou:
— Seja qual for o texto aprovado no Congresso, terá de ser respeitado pelo STF. Não dá mais para ter essas interferências.
A edição 2026 do Fórum da Liberdade, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), aconteceu sob o tema principal "O Brasil tem jeito". Antes do início do painel desta sexta-feira, a organização informou que os pré-candidatos Renan Santos (Missão) e o presidente Lula foram convidados a participar, mas não confirmaram as presenças.
Na quinta-feira (9), o evento recebeu outro debate com três presidenciáveis: o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
O painel que reuniu Aldo, Zema e Caiado teve duração de pouco mais de 90 minutos, com tempos iguais distribuídos para as manifestações de cada um deles. Nesta sexta, Flávio Bolsonaro fez exposição solo de cerca de 35 minutos, em isonomia de tempo com os demais. A organização afirmou que ele teve um painel em separado por dificuldade para conciliar as agendas de todos os pré-candidatos e para evitar mudanças na programação de última hora.

