
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ainda não sabe o que motivou os Estados Unidos a expulsar do país o delegado brasileiro que atuou na prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O oficial recebeu ordem na segunda-feira (20) para deixar o território norte-americano.
O mandatário brasileiro também disse que pode tratar o caso com reciprocidade e expulsar um oficial norte-americano que atua no Brasil, conforme o g1.
— Fui informado hoje de manhã (terça-feira), acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil — disse Lula na porta do Hotel em Hannover, na Alemanha.
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira também sinalizou que não sabe o que fundamentou a decisão do governo norte-americano. Segundo ele, o oficial brasileiro atua em Miami, em conjunto com autoridades locais.
— Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas — afirmou Vieira.
Em outro momento, Lula também subiu o tom das críticas ao governo dos Estados Unidos e afirmou que não vai aceitar "essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil".
Conforme apurou a Globo, a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos confirmou que a autoridade brasileira citada é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).
Entenda o caso
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos publicou ordem para que o delegado brasileiro deixe o país. Em uma rede social, o governo do país afirmou, sem citar o nome do brasileiro envolvido, que ele teria tentado "contornar pedidos formais de extradição" para fazer "perseguições políticas" nos Estados Unidos.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso", diz o texto.
