
O Itamaraty criticou, por meio de nota emitida nesta quarta-feira (22), a postura do governo dos Estados Unidos ao expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do país. Ele era responsável por fornecer informações para a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) no país.
De acordo com o comunicado, publicado nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo norte-americano descumpriu um trecho do acordo de cooperação entre os dois países ao adotar a medida contra o funcionário brasileiro sem solicitar previamente esclarecimentos sobre sua atuação ou tentar algum tipo de diálogo com o governo brasileiro.
O comunicado afirma que o governo brasileiro aplicará o princípio de reciprocidade contra um funcionário norte-americano.
"A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso", diz o comunicado.
Mais cedo, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou à Globo News que retirou as credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil.
— Eu retirei com pesar as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade — afirmou Andrei Rodrigues.
Expulsão dos EUA
Na segunda-feira (20), os Estados Unidos determinou a expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho do país. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Donald Trump justificou a posição sem citar o delegado:
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", escreveu o órgão.
O delegado participou de uma ação do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) que levou à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território norte-americano. Ele foi solto dois dias depois.

