
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil saudou o cessar-fogo no conflito entre Estados Unidos e Irã, que afeta o Oriente Médio. No entanto, em nota divulgada nesta quarta-feira (8), o Itamaraty cobrou uma solução que também inclua o Líbano.
"O governo brasileiro saúda o anúncio, em 7 de abril, de cessar-fogo no contexto do conflito armado no Oriente Médio. Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente", inicia o texto.
No texto, o governo federal também "conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica".
Na sequência, o Itamaraty argumenta que o acordo de cessar-fogo precisa ser ampliado para também contemplar o Líbano, "país que vive crise humanitária", conforme o texto.
"Assinala, ainda, a importância de que a cessação de hostilidades na região se estenda ao Líbano, país que, em decorrência dos intensos ataques israelenses, vive grave crise humanitária, assolado por centenas de mortes, incluindo de civis, assim como por deslocamento forçado de parte significativa de sua população", encerra.
Cessar-fogo
Com mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã anunciaram trégua de 15 dias no confronto no Oriente Médio. O acordo entrou em vigor nesta quarta-feira (8), com a reabertura do Estreito de Ormuz – região por onde passam navios petroleiros.
No entanto, o Irã afirma que fechou novamente o canal para o trânsito de navios após Israel violar o acordo. Isso porque há relatos de ataques israelenses contra o Líbano nesta manhã.
Início do conflito
No dia 28 de fevereiro, em ação coordenada com Israel, os Estados Unidos bombardearam áreas do Irã. A ofensiva atingiu regiões estratégicas do país, inclusive da capital Teerã. O ataque resultou nas mortes de autoridades importantes do Irã, entre eles o aiatolá Ali Khamenei – líder supremo do país.
Estados Unidos e Israel argumentam que a ofensiva teve como objetivo retaliar a expansão do projeto de armas nucleares do Irã. Em resposta, o governo iraniano atacou países vizinhos e destruiu bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
No dia 8 de março, a Assembleia de Especialistas do Irã escolheu Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país. Ele sucede o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto desde 1989. A posição representa a autoridade máxima do sistema político iraniano. A decisão marca uma mudança histórica no comando da República Islâmica.
Já em 9 de março, o presidente norte-americano disse que a guerra contra o Irã está "praticamente encerrada". O republicano argumentou que o Irã está enfraquecido e que sofreu grandes perdas estruturais.
No dia 1º de abril, em pronunciamento oficial televisionado, o presidente dos Estados Unidos afirmou que os EUA atingiram quase todos os objetivos:
— Os objetivos estratégicos estão quase completos.
No mesmo pronunciamento, ao referir-se ao Irã, Trump disse que "eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente".
— Os Estados Unidos quase não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz e não importarão no futuro. Não precisamos. Derrotamos e dizimamos completamente o Irã. Eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente — completou.