
Enquanto a chuva batia forte desde a madrugada desta sexta-feira (24) na Capital, o governador Eduardo Leite apresentava, em coletiva pela manhã, um balanço de ações dos últimos dois anos no Estado, quando a enchente histórica arrasou o Rio Grande do Sul.
A catástrofe de maio de 2024 não deixou apenas estragos, mas um trauma coletivo toda vez que volta a chover ou se apresentam prognósticos de eventos extremos do clima.
Ao lado do vice Gabriel Souza, de secretários de Estado e de membros de comitês científicos, o governador afirmou que o Rio Grande do Sul está “muito mais preparado” para enfrentar eventuais novos transtornos com o El Niño que se avizinha. Desde a catástrofe de 2024, o Plano Rio Grande empenhou R$ 13,9 bilhões na reconstrução de estruturas e locais atingidos, entre valores pagos e aprovados pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), conforme o balanço apresentado.
Foram 95 municípios gaúchos em situação de calamidade e outros 300 em emergência devido à enchente. A dimensão do episódio, disse Leite, guardou especial complexidade na atuação do governo frente ao trabalho de reconstrução. Foram 227 projetos e ações executados.
Algumas ações realizadas:
- Infraestrutura: recuperação dos sistemas de proteção contra cheias e dragagem de hidrovias
- Rodovias: liberação de R$ 3 bilhões para recuperação de 800 km em estradas geridas pelo Daer.
- Governança: reestruturação na Defesa Civil Estadual, com ampliação de equipe técnica (de 42 para 131 servidores), ampliação de frota e atualização de informações para gestão de risco.
- Gestão: atualização dos planos de contingência municipais das 497 cidades gaúchas revisados pela Defesa Civil. Em 2023, apenas 60 municípios tinham planos de contingência.
- Habitação: 2.723 unidades definitivas autorizadas em 56 municípios e 176 unidades entregues em seis municípios afetados, além de 625 unidades temporárias entregues.
Sobre as obras de proteção na região do aeroporto da Capital, anunciadas na quinta-feira (23) pela prefeitura de Porto Alegre em parceria com o governo estadual, Leite disse que o Estado tem condições de financiar integralmente a obra, sem que o recurso seja custeado por ambas as partes, conforme divulgado pelo município.
A opção de antecipar parte da obra, como forma de buscar uma solução razoavelmente rápida até que o sistema todo esteja desenvolvido, diz Leite, representa um avanço do diálogo entre Estado e municípios.
— Nada disso surgiu do nada. A busca por alternativas de solução para a proteção das cidades tem sido feita em conjunto — disse o governador.
Prognóstico climático
O aquecimento das águas do Pacífico, efeito que caracteriza o fenômeno El Niño, é esperado para o segundo semestre. Os prognósticos pela sua condição, no entanto, não permitem ainda projetar a intensidade com que ô fenômeno será observado. O El Niño foi verificado pelo menos sete vezes nos últimos 30 anos.
Apesar das previsões, Leite lembrou que não necessariamente o fenômeno terá a mesma dimensão de 2024. O que não permite, porém, que a população seja pega de surpresa. O governador disse que o Estado acompanha os prognósticos com atenção, monitoramento as possíveis condições do fenômeno conforme as informações vão sendo atualizadas.
— Nosso governo sempre respeitou a ciência, foi assim na pandemia, e a mesma coisa fizemos no Plano Rio Grande — disse Leite.



