
O delegado brasileiro envolvido na prisão do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, recebeu uma ordem do governo dos Estados Unidos para deixar o país.
A medida foi divulgada, nesta segunda-feira (20), pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano.
Em uma rede social, o governo dos EUA afirmou, sem citar o nome do brasileiro envolvido, que ele teria tentado "contornar pedidos formais de extradição" para fazer "perseguições políticas" nos Estados Unidos.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso", diz o texto.
Conforme apurou a TV Globo, a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos confirmou que a autoridade brasileira citada é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).
Infração no trânsito
Ramagem, que foi condenado na ação penal da trama golpista a 16 anos de prisão e recorre em liberdade, foi preso no dia 13 de abril, durante abordagem de trânsito. Ele foi parado por policiais logo após ter saído de casa, em Orlando.
Os agentes alegaram que o ex-deputado havia cometido uma infração de trânsito e, então, solicitaram os documentos dele. Neste momento, foi constatado que o passaporte de Ramagem estava vencido.
Ele foi liberado dois dias depois. Em uma publicação nas redes sociais, o ex-deputado afirmou que não foi detido por problema no trânsito, mas, sim, por uma questão migratória e ressaltou que está em uma situação regular no país.
Ramagem está nos Estados Unidos desde setembro do ano passado – quando ocorreu o julgamento. Durante a investigação sobre a trama golpista, ele havia sido proibido pelo STF de sair do Brasil.
