
Três pré-candidatos à Presidência da República, ligados ao campo da oposição e da direita, debateram o futuro do Brasil nesta quinta-feira (9), no Fórum da Liberdade, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Sob o tema "Presidenciáveis: qual o jeito para o Brasil?", o debate reuniu o ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
O debate teve duração superior a 90 minutos. Economia, segurança pública, instituições e Estado democrático de direito foram os eixos temáticos. As críticas ao presidente Lula e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estiveram entre os pontos mais recorrentes.
No debate econômico, Aldo afirmou que o Brasil "já está quebrado" e mencionou as taxas de inadimplência das pessoas física e jurídica.
— E como resolver a crise fiscal? Para retomar o desenvolvimento, o país tem de se livrar do bloqueio imposto pelas corporações. (...) Não adianta eleger (o presidente). O STF manda mais do que você. O procurador-geral da República manda mais. Os presidentes do Ibama e da Funai mandam mais. Você enfrenta essas corporações ou o país é ingovernável — afirmou Aldo, citando investimentos privados que aguardam licenciamento.
Zema disse que a União gasta demais e de forma errada.
— O Brasil precisa de uma reforma administrativa muito abrangente, principalmente para quem ganha (salário) extrapolando o teto de gastos. Precisamos de mais uma reforma previdenciária, aquela de 2019 não é mais suficiente. Sou favorável a termos um gatilho: caso o IBGE aponte que a expectativa de vida aumentou, o tempo de contribuição aumenta automaticamente — declarou Zema, que também defendeu a revisão de programas sociais.

Caiado disse ser mais "otimista" quanto às possibilidades econômicas do Brasil e mencionou realizações do seu governo em Goiás, que afirmou ter entregue ao sucessor em situação de equilíbrio fiscal.
— Não existe milagre se não avançar em pesquisa, ciência, tecnologia, inteligência artificial e produção de energia. (...) A questão não é só ganhar as eleições. É saber quem vai governar, para que o PT não seja mais opção nos próximos 50 anos no país — opinou Caiado.
Essa afirmação sobre o perfil do oposicionista que poderá vencer Lula foi repetida por Caiado durante o painel. Sem citar nomes, refletiu que não adianta vencer o pleito de 2026 e, depois, fazer uma gestão que permita o retorno ao poder de um governo petista pela via eleitoral.

Segurança pública
O tema da segurança também teve protagonismo. Caiado mencionou que enviaria ao Congresso de forma imediata uma proposta para classificar as facções criminosas como "terroristas".
— Vou governar com os governadores, dando liberdade para cada Estado definir a sua política de segurança, e não ser concentrado em Brasília — declarou o ex-governador goiano.
Aldo avaliou que a segurança pública se tornou também questão de segurança nacional devido à presença de organizações criminosas em fronteiras e rios amazônicos.
— Devemos ter normais especiais, leis de exceção para tratar do crime organizado. Essa gente não pode ser enfrentada com as normais atuais — disse Rebelo.
Ele não citou mudanças específicas, mas, no contexto, refletiu sobre a possibilidade de supressão de direitos como habeas corpus e audiência de custódia.

Zema disse ter ido até El Salvador para conhecer as políticas de segurança do país, baseadas em um regime de exceção e encarceramento massivo que reduziram índices de criminalidade, e defendeu a longa permanência na prisão das pessoas que cometeram delitos.
— Temos hoje no Brasil a não punição de quem comete crime. Na hora que mudarmos isso, as coisas se transformam automaticamente — comentou Zema, mencionando que a violência urbana também gera custo à Previdência por deixar pessoas em graves limitações físicas.
No terceiro bloco, no eixo instituições e Estado democrático de direito, os três pré-candidatos fizeram diversas críticas ao STF. Houve defesa enfática de impeachment de ministros da Corte e de mudanças nas regras de indicação, como definição de idade mínima para ocupar o cargo e tempo de mandato.
Com o Centro de Eventos da PUCRS lotado, os três candidatos foram recebidos sob aplausos, condição que se manteve durante a manifestação de opiniões. Ao responderem questionamentos do público, Zema disse que seu partido, o Novo, terá capacidade de fazer alianças para governar. Caiado, indagado sobre sua longa trajetória em mandatos, declarou ter orgulho de ser político com trajetória sem mácula de corrupção. Aldo foi perguntado sobre sua militância de 40 anos no PCdoB e atuação nos governos do PT. Ele respondeu que se guia por seus princípios de nacionalismo e desenvolvimento, o que teria levado ao afastamento dos antigos companheiros.
A edição 2026 do Fórum da Liberdade, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), acontece sob o tema "O Brasil tem jeito". Antes do início do debate, a organização informou que os pré-candidatos Renan Santos (Missão) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá à reeleição, foram convidados a participar, mas não confirmaram as presenças. Nesta sexta-feira (10), a 39ª edição do evento receberá painel com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).


