
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal (PF).
A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O motivo ainda não foi divulgado oficialmente.
A defesa havia solicitado a saída dele da penitenciária federal, onde estava custodiado, sob o argumento de que o funcionamento do estabelecimento dificultava as conversas com o cliente e as eventuais negociações do acordo de delação premiada com os investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal.
Na última sexta-feira (13), depois que a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão preventiva dele, Vorcaro decidiu partir para negociar uma delação premiada. O advogado José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa para ficar à frente do processo, enquanto os outros advogados deixaram o caso.
"A Polícia Federal informa que, em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal", diz nota da PF.
Vorcaro foi preso no início do mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP) para a Penitenciária Federal em Brasília.
Tratativas ainda estão em fase inicial
Com a mudança na defesa, a nova equipe de Vorcaro começou a conversa nesta semana com os órgãos de investigação e com o STF sobre a possibilidade de uma delação premiada dele.
As tratativas ainda estão em fase inicial. De acordo com pessoas que acompanham o processo, ainda não foi montada a lista dos assuntos que o empresário vai abordar nem das pessoas que vai delatar.
A transferência de presídio foi justamente para facilitar a formatação do acordo. A expectativa das pessoas envolvidas é que Vorcaro também negocie benefícios para seus familiares que entraram na mira das investigações, como seu pai, Henrique, e sua irmã Natália.
Nos bastidores, os investigadores avaliam que o empresário deve entregar novos caminhos de prova e fornecer informações ainda não descobertas na investigação. Isso porque o próprio celular do banqueiro, apreendido em novembro do ano passado, já forneceu uma grande quantidade de provas contra ele e seus aliados.
Prisão
A PF prendeu novamente, no dia 4 de março, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro, que é investigado por fraudes bilionárias envolvendo a venda de títulos de crédito falsos, foi preso em casa, em São Paulo (SP). A defesa dele nega as suspeitas.
Durante a investigação, foram encontrados indícios de que o dono do Banco Master teria planejado simular um assalto para "prejudicar violentamente" o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. Segundo o ofício, o empresário pretendia "calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados".
Em uma das conversas, encontradas em um grupo de Whatsapp, Vorcaro chega a afirmar que queria "mandar dar um pau nele (Lauro Jardim). Quebrar todos os dentes. Num assalto".
Daniel Vorcaro já havia sido preso em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre uma suposta fraude na emissão de créditos bancários. Na ocasião, ele planejava uma fuga. O empresário deixou a cadeia em 29 de novembro, mas era monitorado por tornozeleira e precisava cumprir outras restrições.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) no dia seguinte à prisão, em uma intervenção que antecedeu a derrocada de outras instituições financeiras ligadas ao grupo.
Entre as operações suspeitas estão a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.


