
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS vai solicitar que a Polícia Legislativa do Senado apure a suposta entrada de uma câmera na sala-cofre onde ficam armazenados dados das quebras de sigilo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida, confirmada nesta terça-feira (17), acontece um dia depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir o acesso ao material, a fim de preservar conteúdos pessoais do banqueiro.
Também nesta terça, o Banco Central (BC) confirmou a liquidação extrajudicial de uma empresa do grupo de Vorcaro (veja mais abaixo). O empresário, preso desde o início do mês, é suspeito de comandar uma organização criminosa responsável por um rombo de R$ 50 bilhões no sistema financeiro.
O que é a sala-cofre
A sala-cofre é um espaço no Senado destinado ao acesso a informações de investigações sigilosas, como o caso do Banco Master. Documentos extraídos pela Polícia Federal (PF) de celulares de Vorcaro foram entregues à CPMI, que armazenou os dados nesse local.
Somente deputados e senadores integrantes da comissão, além de um assessor de cada um desses parlamentares, podem ingressar na sala-cofre. O espaço conta com sete computadores e funciona das 9h às 21h, com monitoramento 24 horas.
Banco Master
Informações pessoais
Entre os arquivos armazenados no local estariam conteúdos pessoais do banqueiro. Na decisão de segunda, André Mendonça determinou, com efeitos imediatos, "que ninguém tenha acesso ao material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS referente aos equipamentos e documentos apreendidos do investigado Daniel Bueno Vorcaro".
Mendonça ordenou ainda que a PF, em conjunto com a presidência da CPMI, retirasse os equipamentos da sala-cofre para realizar uma nova triagem do conteúdo. O objetivo é separar dados de caráter estritamente privado, que não devem ser compartilhados com a comissão, dos pertinentes à investigação.
Vazamento de dados
A suspeita de vazamento de informações sigilosas levou o presidente da CPMI a pedir a investigação da Polícia Legislativa. A comissão teme que o acesso a dados pessoais de Vorcaro provoque uma eventual anulação de provas.
— O que nós sabemos é que, infelizmente, existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo do senhor Daniel Vorcaro, que poderiam inviabilizar as provas — disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI.

Emendas para igreja de cunhado de Vorcaro
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Viana confirmou ter destinado R$ 3,6 milhões em emendas para a sede da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, em 2019. O parlamentar, contudo, negou ter relação com Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e pastor da igreja.
— Ajudei dezenas de fundações. O governo deve muito às igrejas pelas assistências sociais em presídios — afirmou o presidente da CPMI.
De acordo com as investigações, Zettel seria o operador financeiro do grupo de Vorcaro e teria atuado na operacionalização de pagamentos ilícitos, na estruturação de contratos simulados para lavagem de dinheiro e no financiamento das atividades de vigilância. Foi preso em março de 2026.
Em 2022, Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro para presidente e de Tarcísio Gomes de Freitas para governador de São Paulo. Doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.
Liquidação de empresa

O BC decretou nesta terça a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo SA. A instituição estava sob Regime de Administração Especial Temporário (Raet) desde 18 de novembro de 2025, quando o Master foi liquidado. O Raet tinha duração de 120 dias e venceria na quarta-feira (18).
Apesar do nome "banco", o Master Múltiplo não funcionava como um banco tradicional voltado ao público geral. Na prática, a instituição atuava nos bastidores do sistema financeiro, com operações entre empresas, estruturação de crédito e apoio às atividades de outras companhias do próprio grupo.
Sexto elo
A instituição é a sexta ligada ao Master a sofrer impactos em meio às investigações, apontou a colunista Marta Sfredo:
- Banco Master: principal instituição de Vorcaro, famosa por CDBs com remuneração acima do mercado, liquidada em 18 de novembro de 2025.
- CBSF (ex-Reag): investigada por suspeita de blindar recursos de facção criminosa, liquidada em 15 de janeiro de 2026.
- Will Bank: financeira apresentada como banco digital controlada pela Master Múltiplo, liquidada em 21 de janeiro de 2026.
- Fictor: duas empresas do grupo — que anunciou a compra do Master um dia antes da liquidação — entraram em recuperação judicial em 2 de fevereiro de 2026.
- Pleno: banco comprado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e liquidado em 18 de fevereiro de 2026.
- Master Múltiplo: o mais recente, que era o controlador do Will Bank, liquidado em 17 de março de 2026.
Como o Master Múltiplo não captava recursos, o efeito da liquidação para o sistema financeiro deve ser menor.
Isso significa, por exemplo, que não vai demandar mais recursos do já dilapidado Fundo Garantidor de Créditos (FGC).









