
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibiu a visita do assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie a Jair Bolsonaro na Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (12).
"A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido", escreveu Moraes em nova decisão.
O magistrado havia autorizado a visita na terça-feira (10), mas depois de uma manifestação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), ele voltou atrás, segundo o g1. Segundo o ministro Mauro Vieira, a visita na prisão poderia configurar "indevida ingerência" em assuntos internos do Brasil.
"A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", afirmou Vieira.
Beattie é assessor sênior dos Estados Unidos. No governo de Donald Trump, ele é responsável por tratar de políticas que envolvem interesses norte-americanos ligados ao Brasil.
Entenda
No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita fosse realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estaria em visita oficial ao Brasil. A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.
Moraes autorizou a visitação na terça (10), mas determinou que o encontro deveria ocorrer na quarta-feira (18). Após a designação da data, a defesa de Bolsonaro voltou a pedir que a liberação da visita ocorra nas datas sugeridas.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.


