
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (5) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a Penitenciária Federal em Brasília.
Preso na quarta-feira (4), na capital paulista, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro foi levado na manhã desta quinta para a Penitenciário de Potim, no interior paulista.
Mendonça atendeu ao pedido feito pela Polícia Federal (PF). A transferência deve ocorrer nesta sexta-feira (6).
No pedido feito ao ministro, a PF disse que há risco à segurança pública com a manutenção de Vorcaro no presídio estadual. Segundo os investigadores, o banqueiro tem influência e pode influenciar nas investigações sobre as fraudes no Banco Master.
"As peculiaridades do caso concreto revelam cenário que recomenda cautela redobrada quanto à execução da medida constritiva, sobretudo diante da potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais", justificou a PF.
Prisão
A Polícia Federal (PF) prendeu novamente, na quarta-feira (4), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro, que é investigado por fraudes bilionárias envolvendo a venda de títulos de crédito falsos, foi preso em casa, em São Paulo (SP). A defesa dele nega as suspeitas (leia abaixo).
Durante a investigação, foram encontrados indícios de que o dono do Banco Master teria planejado simular um assalto para "prejudicar violentamente" o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. Segundo o ofício, o empresário pretendia "calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados".
Em uma das conversas, encontradas em um grupo de Whatsapp, Vorcaro chega a afirmar que queria "mandar dar um pau nele (Lauro Jardim). Quebrar todos os dentes. Num assalto".
Daniel Vorcaro já havia sido preso em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre uma suposta fraude na emissão de créditos bancários. Na ocasião, ele planejava uma fuga. O empresário deixou a cadeia em 29 de novembro, mas era monitorado por tornozeleira e precisava cumprir outras restrições.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) no dia seguinte à prisão, em uma intervenção que antecedeu a derrocada de outras instituições financeiras ligadas ao grupo.
Entre as operações suspeitas estão a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
O que diz a defesa
A defesa de Vorcaro disse que ele "sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".
Os advogados ainda negaram as suspeitas contra ele e disseram confiar que o esclarecimento completo dos fatos "demonstrará a regularidade de sua conduta". A defesa reiterou ainda a "sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições".
