
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou o visto de Darren Beattie, assessor para assuntos relacionados ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o g1, ele mentiu sobre o motivo da viagem ao pedir o visto.
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (13), durante a inauguração de um hospital no Rio de Janeiro. Durante seu discurso, o presidente citou o cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha e seus familiares, em agosto do ano passado, para justificar a decisão:
— Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado.
Em nota, o Itamaraty alegou que está utilizando princípios adotados internacionalmente para revogação.
Beattie ocupa atualmente um posto de alto nível no Departamento de Estado dos EUA, para uma função estratégica focada nas relações bilaterais entre Washington e Brasília. Recentemente, ele havia solicitado uma autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde compre pena por tentativa de golpe de Estado.
Entenda
No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita fosse realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estaria em visita oficial ao Brasil. A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.
Moraes autorizou a visitação na terça (10), mas determinou que o encontro deveria ocorrer na quarta-feira (18). Após a designação da data, a defesa de Bolsonaro voltou a pedir que a liberação da visita ocorresse nas datas sugeridas.
No entanto, depois de uma manifestação do Itamaraty, ele voltou atrás. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a visita na prisão poderia configurar "indevida ingerência" em assuntos internos do Brasil.
"A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", afirmou Vieira.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.


