
A Polícia Federal (PF) prendeu novamente, nesta quarta-feira (4), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele é alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro, que é investigado por fraudes bilionárias envolvendo a venda de títulos de crédito falsos, foi preso em casa, em São Paulo (SP), e já está na Superintendência da PF. A defesa dele nega as suspeitas (leia abaixo).
Outro alvo da ofensiva é o empresário e pastor evangélico Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. De acordo com a GloboNews, ele se entregou durante a manhã à polícia.
Além das ordens contra Vorcaro e Zettel, são cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Também foi determinado o sequestro e bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
A ação culminou ainda no afastamento de dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, alvos de uma sindicância interna da instituição. Eles comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e já haviam deixado os cargos.
Esta nova fase da operação apura a invasão de dispositivos informáticos praticada por uma organização criminosa ligada a Vorcaro e outros aliados dele. Também estão sob apuração os crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro.
Ameaça a jornalista
Durante a investigação, foram encontrados indícios de que o dono do Banco Master teria planejado simular um assalto para "prejudicar violentamente" o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. Segundo o ofício, o empresário pretendia "calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados".
Em uma das conversas, encontradas em um grupo de Whatsapp, Vorcaro chega a afirmar que queria "mandar dar um pau nele (Lauro Jardim). Quebrar todos os dentes. Num assalto".
Relembre o caso
Daniel Vorcaro já havia sido preso em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre uma suposta fraude na emissão de créditos bancários. Na ocasião, ele planejava uma fuga. O empresário deixou a cadeia em 29 de novembro, mas era monitorado por tornozeleira e precisava cumprir outras restrições.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) no dia seguinte à prisão, em uma intervenção que antecedeu a derrocada de outras instituições financeiras ligadas ao grupo.
Entre as operações suspeitas estão a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
O que dizem as defesas
Procurada, a defesa de Vorcaro disse que ele "sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".
Os advogados ainda negaram as suspeitas contra ele e disseram confiar que o esclarecimento completo dos fatos "demonstrará a regularidade de sua conduta". A defesa reiterou ainda a "sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições".
Também em nota, a defesa de Zettel disse que ele está à inteira disposição das autoridades. "Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades", afirmou.




