
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, reclamou de cobranças para efetuar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento no qual uma empresa do ministro do STF Dias Toffoli tinha participação.
Diálogos do banqueiro com seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que organizaria os pagamentos, foram publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo.
As conversas extraídas pela Polícia Federal (PF) indicam que Vorcaro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões. O banqueiro não explicou quem era responsável pelas cobranças.
Em nota, Toffoli negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. O ministro ainda não se manifestou sobre o caso. As defesas do banqueiro e de Zettel não responderam ao O Estado de S.Paulo.
As mensagens constam no relatório encaminhado pela Polícia Federal ao STF na semana passada.
Toffoli deixou a relatoria do caso Master na Corte Suprema na última quinta-feira (12). O ministro André Mendonça foi escolhido, por meio de sorteio, para ser o novo relator.
Veja os diálogos
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort ligado a Toffoli.
— Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim — escreveu o banqueiro.
— Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim — respondeu o cunhado.
Na sequência, Zettel apresentou uma lista de pagamentos para Vorcaro aprovar, na qual constava uma indicação que, para a PF, representava um repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento.
— Paga tudo hoje — concluiu Vorcaro.
Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos.
— Aquele negócio do Tayayá não foi feito? — perguntou o banqueiro.
Zettel respondeu que já havia transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa. Por causa disso, Vorcaro se irritou:
— Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?
— No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele — respondeu Zettel.
Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. Zettel, então, respondeu:
— Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões.
Na última semana, Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá até fevereiro de 2025.
A fatia da empresa foi vendida a fundos da Reag, controlados por Zettel, em 2021, e o restante transferido à PHB Holding em 2025 — ambas ligadas a negócios suspeitos de receber recursos do PCC.