
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão revoltados com a hipótese de que duas tensas reuniões ocorridas a portas fechadas na Corte na quinta-feira (12) tenham sido alvo de gravação clandestina. A tese surgiu a partir da publicação de uma reportagem no Poder360, nesta sexta-feira (13), que reproduz falas dos encontros.
Os encontros ocorreram na presidência do Supremo, com a presença apenas de ministros, com o objetivo de definir o futuro de Dias Toffoli na crise aberta com o escândalo do Banco Master. Após entrar na mira da Polícia Federal, Toffoli não resistiu à pressão dos colegas na segunda reunião e deixou a relatoria do caso.
Em caráter reservado, fontes do tribunal afirmaram ao Estadão que ao menos quatro dos 10 integrantes da Corte estariam indignados por terem sido alvo de gravação. Há desconfiança de que o autor seria Toffoli, que resistiu até o último momento se afastar do processo, conforme apontou a colunista da colunista do jornal Folha de S.Paulo Mônica Bergamo.
O texto do Poder360 reproduz as palavras dos ministros de forma literal e precisa. Alguns enviaram inclusive a reportagem a Toffoli mostrando que a gravação ocorreu. Perguntado pelo Estadão, o ministro negou:
— Claro que não.
À Mônica Bergamo, Toffoli também negou ter feito qualquer registro:
— Não gravei e não relatei nada para ninguém.
Em seguida, o ministro levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de informática pode ter feito a gravação. Segundo Bergamo, os magistrados afirmaram que a situação é sem precedentes, de perplexidade e desconforto, gerando uma quebra de confiança inédita. Disseram ainda que os diálogos selecionados por quem fez a gravação trazem apenas trechos favoráveis a Toffoli e não mostram a complexidade do que foi discutido na sessão.
O texto coloca, por exemplo, uma fala de Cármen Lúcia que mostraria que ela estava na reunião com a intenção de sacrificar Toffoli para recuperar a imagem do STF. A fala é a seguinte:
— Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo.
Ela disse ainda que, apesar de ter "confiança" em Toffoli, era necessário "pensar na institucionalidade".
Luiz Fux, de acordo com a reportagem do Poder360, disse:
— O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.
Nos bastidores, não foi descartada a abertura de sindicância para apurar se houve vazamento e descobrir eventual responsável por ela. Entretanto, parte dos ministros considera melhor não divulgar a suspeita, para que o Supremo não seja novamente inserido na crise do Master. Procurado pelo Estadão, o presidente da Corte, Edson Fachin, não informou se pretende abrir investigação.
As duas reuniões foram realizadas para discutir o questionamento feito pela Polícia Federal sobre a suspeição de Dias Toffoli na relatoria das investigações. A solução apontada foi que o ministro deixasse o caso e, em compensação, o tribunal redigiria uma nota assinada por todos os integrantes em apoio a Toffoli.
A reportagem do Poder360 transcreve frases ditas por ministros nas duas reuniões. Ambas transcorreram apenas com a presença de ministros, sem qualquer assessor no recinto. Apenas na segunda houve a transmissão por videoconferência para a participação de dois ministros que não estavam no tribunal: André Mendonça e Luiz Fux.



