
Um parecer médico elaborado por peritos da Polícia Federal concluiu que o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro exige acompanhamento contínuo, mas não impede sua permanência no presídio.
Bolsonaro está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde o dia 15 de janeiro.
No mesmo dia, Moraes determinou que fosse feita uma nova avaliação por uma junta médica da Polícia Federal sobre a necessidade de prisão domiciliar, fixando um prazo de 10 dias para que o laudo fosse apresentado no processo. Antes, o ex-presidente estava detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A avaliação clínica foi realizada em 20 de janeiro. De acordo com o laudo, Bolsonaro necessita de cuidados como monitoramento rigoroso da pressão arterial, hidratação adequada, alimentação fracionada, realização periódica de exames laboratoriais e de imagem, além do uso contínuo de aparelho CPAP para o tratamento da apneia do sono e do ronco.
Os médicos não constataram doenças como depressão ou pneumonia aspirativa, mas atestaram a existência das seguintes doenças no ex-presidente:
- Hipertensão arterial sistêmica
- Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave
- Obesidade clínica
- Aterosclerose sistêmica;
- Doença do refluxo gastroesofágico
- Queratose actínica
- Aderências (bridas) intra-abdominais
Ainda segundo o laudo, na entrevista com os médicos Bolsonaro “não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia (falta de prazer)”, ainda que pudesse demonstrar abatimento.
Os médicos da PF inspecionaram também as instalações da Papudinha, incluindo a cela de Bolsonaro e as áreas comuns, como banheiro e academia. Ao final, os peritos fizeram quatro recomendações para melhorar as condições em que o ex-presidente é mantido:
1.Investigação complementar, definição diagnóstica e tratamento adequado do quadro neurológico em curso. Como medidas paliativas e provisórias, até avaliação especializada, recomenda-se:
- instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento;
- instalação de campainhas de pânico/emergência adicionais e/ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real no alojamento;
- acompanhamento contínuo nas áreas comuns;
2. Avaliação nutricional e prescrição dietética por profissional(is) especializado(s), direcionadas às comorbidades descritas
3. Prática regular de atividade física aeróbica e resistida, conforme tolerância clínica;
4. Tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força muscular e equilíbrio postural.
Trama golpista
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista engendrada por ele e militares de alta patente com o objetivo de impedir a posse do presidente Lula, eleito nas eleições de 2022.
Julgamento Golpe de Estado
Os médicos ressaltam que todas essas recomendações podem ser atendidas no ambiente prisional. O relatório também afirma que as comorbidades apresentadas pelo ex-presidente não justificam, neste momento, a transferência para uma unidade hospitalar.
Na quarta-feira (4), a defesa de Jair Bolsonaro relatou o que chamou de "piora" nos últimos dias no estado de saúde do ex-presidente. Em petição em seu processo de execução penal, os advogados apontam que ele passou a sofrer com "episódios eméticos" (vômito) e crises de soluço acentuadas.









