
Os presidentes nacionais do PT, Edinho Silva, e do PDT, Carlos Lupi, divergiram publicamente após se reunirem em Brasília nesta quarta-feira (4) para discutir o cenário eleitoral. Enquanto Lupi saiu do encontro anunciando o compromisso de apoio do PT a Juliana Brizola no Rio Grande do Sul e a outros dois pré-candidatos a governador do PDT, Edinho garantiu que a conversa não definiu palanques estaduais.
A despeito do dissenso, o episódio reacendeu a discussão sobre a aliança entre PDT e PT no Estado. No momento, os dois partidos mantêm, respectivamente, Juliana e Edegar Pretto como pré-candidatos ao Palácio Piratini.
A agitação começou às 14h38min, quando Lupi publicou nas redes sociais uma imagem ao lado de Edinho. Na legenda, escreveu que recebeu "a confirmação do compromisso petista" de apoiar Juliana no RS, Alexandre Kalil em Minas Gerais e Requião Filho no Paraná.
"Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses Estados estratégicos", completou.
De imediato, a postagem começou a circular nos grupos gaúchos do PDT e do PT, animando apoiadores de Juliana e gerando apreensão nos partidários de Pretto.
Menos de uma hora depois, o PT nacional publicou uma nota de dois parágrafos em que descreve o encontro como "um diálogo de alto nível sobre a reeleição do Presidente Lula", mas desmente a definição de candidaturas dos Estados.
"A conversa não teve como objetivo a definição de palanques eleitorais nos Estados. As definições sobre as candidaturas estaduais seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais", diz o texto, assinado pela Presidência do partido.
Procurado pela reportagem para detalhar o que foi tratado na reunião, Edinho não deu retorno.
Lupi, por meio da assessoria, divulgou um posicionamento mais cauteloso, em que afirma estar "costurando o apoio" do PT aos candidatos do PDT.
Aliança em debate
Apesar das versões divergentes, a nova investida de Lupi adicionou novo ingrediente na articulação dos dois partidos no Rio Grande do Sul. A possibilidade de apoiar Juliana é considerada pelo presidente Lula e pelo comando nacional do PT, mas sofre resistência no diretório gaúcho.
Na segunda-feira (2), Pretto se reuniu com Edinho para reafirmar a disposição de ser candidato e anunciar uma caravana para elaborar o plano de governo, cujo início está marcado para 28 de fevereiro. O ex-chefe da Casa Civil Carlos Pestana esteve no encontro e garante que não foi debatida a hipótese de retirar a pré-candidatura.
— Foi uma reunião muito boa. Convidamos o presidente Edinho para a caravana que estamos organizando, confirmamos a candidatura e saímos de lá tranquilos com relação a esse aspecto — afirma Pestana.
Presidente estadual do PDT, o prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior, diz que não recebeu maiores detalhes sobre a reunião desta quarta, mas viaja a Brasília nesta quinta-feira (5) e tem agenda marcada com Lupi.
— Amanhã vou saber mais de perto o desdobramento (da reunião). O Lupi nos garante que esse acordo será feito — diz Romildo.
Nos bastidores, apoiadores de Pretto afirmam que Lupi estaria "forçando a barra" para que o PT apoie Juliana, mesmo após o diretório estadual ter lançado Pretto e o PDT resista em deixar os cargos no governo Leite.
Em contrapartida, entusiastas da aliança lembram que a composição teria potencial de garantir um palanque a Lula no segundo turno da eleição. Em 2018 e 2022, o PT lançou candidato próprio e ficou de fora da fase decisiva da eleição estadual.
Trabalhando na montagem dos palanques estaduais, o grupo de trabalho eleitoral (GTE) do PT tem a próxima reunião para a terça-feira (10), em que o cenário do Rio Grande do Sul deverá entrar em debate.
Mesmo petistas favoráveis à composição com Juliana reconhecem que o movimento teria de ser construído com cuidado, para não queimar Pretto ou decepcionar a militância.
Veja a postagem de Lupi
Leia a nota da presidência do PT
"O presidente do PT, Edinho Silva, informa que se reuniu nesta quarta-feira (4) com o presidente do PDT, Carlos Lupi, partido aliado, para um diálogo de alto nível sobre a reeleição do Presidente Lula.
A conversa não teve como objetivo a definição de palanques eleitorais nos estados. As definições sobre as candidaturas estaduais seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais."
Leia o posicionamento de Lupi, após a nota do PT
"Estamos com o presidente Lula em todo o país e costurando o apoio do PT aos candidatos a governo do PDT: no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola; Paraná, com Requião Filho, e Minas Gerais, com Alexandre Kalil.
Apoiamos o PT nos quatro estados que governam: Bahia, com Jerônimo Rodrigues; Ceará, com Elmano de Freitas; Rio Grande do Norte, com a Fátima Bezerra, e Piauí, com Rafael Fonteles.
Caminharemos juntos, na grande maioria dos estados, para fortalecer o campo democrático."



