
O caso do Banco Master passou rapidamente de uma crise de liquidez bancária para uma crise envolvendo os três poderes da República. O que começou com a descoberta de um "rombo" e indícios de fraudes em fundos de pensão (RPPS) alcançou o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, com o desenrolar da investigação da Polícia Federal.
O episódio mais recente envolve a prisão, de novo, do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada dia 4 de março. Em decisão que determinou, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, apontou indícios de que o dono do Banco Master teria planejado simular um assalto para "prejudicar violentamente" o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. Segundo o ofício, o empresário pretendia "calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados".
No dia seguinte, dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram que ele e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o dono do Banco Master foi preso pela Polícia Federal, segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Veja, abaixo, a cronologia envolvendo o banco
2021: surge o Banco Master
Sem tradição no mercado financeiro, o Master atraiu clientela oferecendo rendimentos muito superiores à concorrência. Em poucos anos, o banco saltou de R$ 2,5 bilhões para R$ 50 bilhões em captação de CDB’s. A bonança intrigou o circuito bancário, que via o dono do Master, Daniel Vorcaro, ostentando uma vida luxuosa e se aproximando de altas autoridades da República.
2024: as suspeitas
O volume das operações e a ausência de cobertura patrimonial despertaram a atenção do Banco Central em 2024. No ano seguinte, o Banco Regional de Brasília (BRB), instituição estatal, anuncia intenção de comprar 58% o Master, aumentando as desconfianças.

2025: operação policial
Em novembro, dois meses após o Banco Central vetar a venda do Master ao BRB, a Polícia Federal deflagra a operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro é preso e o Master, liquidado pelo Banco Central.
Caso vai para o STF
Vorcaro é solto após duas semanas na prisão e o caso sobe para o Supremo Tribunal Federal, por suposto envolvimento de autoridade com foro privilegiado. Dois dias antes de ser sorteado o então relator, Dias Toffoli viaja em jato particular com um dos advogados do banco.

As primeiras decisões
No comando do processo, Toffoli chegou a decretar sigilo máximo na investigação, suspendeu perícias e interrogatórios.
O TCU
A pedido do Ministério Público (MPF), o Tribunal de Contas da União (TCU) entra no caso. Ex-deputado ligado ao centrão, o ministro Jhonathan de Jesus suspeitou de que o Banco Central tenha acelerado a liquidação do Master e pediu uma inspeção no processo, cogitando reverter a decisão.
A atuação de Moraes
A imprensa descobriu que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane, tinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Moraes teria discutido a venda do Master ao BRB com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ambos confirmaram o encontro, mas negaram terem conversado sobre o tema.

O ataque dos influenciadores
Em meio à investida do TCU contra o Banco Central, influenciadores da internet começaram a atacar a liquidação do Master. Pagos por agências de comunicação, os influenciadores lançaram suspeitas sobre a atuação da autoridade financeira.
Janeiro de 2026: novo escândalo
Com o Banco Central sob inspeção do TCU, a Polícia Federal deflagrou nova operação, mirando a gestora de investimentos Reag. Ligada ao Master e também liquidada pelo BC, a gestora mantinha seis fundos suspeitos, no valor de R$ 102 bilhões. Toffoli nomeou pessoalmente os peritos que analisaram os documentos apreendidos.
Em 21 de janeiro, o Banco Central liquida a sexta instituição financeira ligada ao Master. Tido como o banco popular do grupo, a Will Financeira tem as operações encerradas “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master.
29/1: o cenário se agrava:
- O Banco Central abre investigação interna para apurar falhas processuais de fiscalização.
- Acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB apresenta contradições sobre as operações.
30/1: diretor do Banco Central revela que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes de entrar em processo de liquidação.
Fevereiro de 2026
2/2: Grupo Fictor, que havia tentado adquirir o Master, pede recuperação judicial.
3/2: operação policial resulta na prisão do ex-presidente do Rioprevidência.
5/2: o presidente Lula se manifesta sobre seu encontro com Daniel Vorcaro no Planalto, afirmando que o governo não teria posição política (pró ou contra) no caso.
6/2: a Previdência do Amapá entra no radar da PF por suspeitas de fraudes em investimentos vinculados ao banco.
9/2: Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirma que as evidências de fraude no Master já haviam surgido em março de 2025.

11/2: durante operação em Balneário Camboriú, uma mala com dinheiro é jogada pela janela.
11/2: A PF encontra menções ao ministro Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro.
12/2: Toffoli confirma ser sócio de empresa ligada ao resort Tayayá (PR), mas nega relação direta com Vorcaro.
O resort

Preso pela PF, um cunhado de Vorcaro comprou de irmãos de Toffoli participação em um resort no Paraná. O negócio foi intermediado por fundos de investimentos geridos pela Reag. Reportagens mostraram que os irmãos do ministro, um engenheiro e um padre, tinham patrimônio de R$ 380 mil quando compraram cotas no valor de R$ 4,55 milhões do resort.

12/2: ministros do STF se reúnem para discutir o caso. Após o encontro, fica acertado que Toffoli deixa a relatoria. No mesmo dia, o ministro André Mendonça assume a relatoria do caso no STF.
Em nota, o STF afirmou que o ministro — "considerados os altos interesses institucionais" — pediu que o tema fosse redistribuído para outro magistrado relatar o caso.
O documento foi assinado pelos outros 10 ministros da Corte que demonstraram apoio pessoal ao ministro Dias Toffoli e defenderam as ações do magistrado, declarando "não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição".
O Ápice da Crise e as Liquidações Finais
13/2: surge a suspeita de que a reunião que selou a saída de Toffoli do caso foi gravada clandestinamente.
13/2: delegados da Polícia Federal (PF) que conduzem investigações sobre o Banco Master foram chamados para uma reunião com o novo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça.

14/2: Novas revelações apontam que Vorcaro relatou cobranças por pagamentos destinados ao resort ligado a Toffoli.
18/2: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A e da Pleno DTVM, que faziam parte do Grupo Master.
Março de 2026
4/3 - A Polícia Federal prendeu novamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
5/3 - O banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o dono do Banco Master foi preso pela Polícia Federal, segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.