
O pastor evangélico Sergio Peres (Republicanos), 57 anos, assume nesta terça-feira (3) a presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Ele vai ocupar o cargo por um ano, dentro do acordo de rodízio entre as maiores bancadas. Natural do interior de Caraá, no Litoral Norte, Peres não tem filhos e reside em Cachoeirinha com a esposa Delani.
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Trajetória
Quando Sergio Peres nasceu, Caraá ainda era distrito de Santo Antônio da Patrulha. Caçula de uma família de 18 irmãos, todos do mesmo pai e da mesma mãe, Sergio viveu e trabalhou na roça até os 19 anos.
Energia elétrica não chegava à residência dos Peres, e a rotina era simples. O deputado conta que os 18 partos foram realizados em casa, sem assistência médica. Conforme iam crescendo, os irmãos deixavam a propriedade em busca de emprego na área urbana, porque a terra era pouca e a comida por vezes insuficiente.
Sergio se mudou para Gravataí em 1987. Conseguiu emprego na Steigleder, indústria de refrigeradores então instalada em Porto Alegre. Ao final do segundo dia de trabalho, quase desistiu da vida na cidade. Passara duas noites sem dormir por causa dos pernilongos na casa em que estava hospedado. Foi salvo por um um colega de trabalho, que lhe apresentou um spray para matar os mosquitos.
Hoje, Peres conta com orgulho a trajetória na fabricante de geladeiras, onde foi de pintor a supervisor, por meio de sucessivas promoções até 1991. Ele também foi pequeno comerciante em Cachoeirinha, onde teve uma loja de revestimentos e carpetes.
Igreja e parlamento
O curso da vida começou a mudar em 1993, quando ingressou na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) como pastor auxiliar. Deu a largada em trabalhos comunitários da comunidade cristã, pavimentando o caminho rumo à política. A jornada o levou a ser nomeado pastor da Universal em 1996.
O primeiro mandato de deputado estadual veio em 2002. À época, os pastores da IURD não eram organizados em um único partido, como ocorre hoje no Republicanos — legenda que se expandiu e, atualmente, conta com alas que vão além da religiosa. Naquela ocasião, Peres foi eleito pelo PSB. Exerceu apenas um mandato e não concorreu à reeleição. Voltou para a atividade de pastor.
O retorno ao parlamento aconteceu em 2014, desta vez pelo Republicanos. Foi novamente eleito deputado estadual e se reelegeu em 2018 e 2022. No último pleito, alcançou 74.685 votos, garantido o seu quarto mandato, o terceiro consecutivo.
Bandeira da gestão

Virou tradição na Assembleia o desfraldar de uma bandeira pelos presidentes, com a realização de debates e apresentação de projetos que possam se tornar políticas públicas para o Estado. Peres resolveu adotar o municipalismo. Ele resgata o discurso de que o cidadão vive nas cidades e os prefeitos são os mais cobrados por avanços na prestação dos serviços básicos, como educação, saúde e infraestrutura rodoviária. O parlamentar aponta que as prefeituras ficam com a menor fatia do bolo tributário, apesar de estarem no contato mais estreito com o cidadão.
Na sua atuação parlamentar, Peres destaca a criação de subcomissão para discutir a situação dos municípios gaúchos sem acesso asfáltico. Essa é uma das suas prioridades.
Também ressalta a atuação em favor de políticas para a produção rural, como o projeto que tramita na Assembleia com o objetivo de incluir o mel na merenda escolar.
Peres ainda presidiu uma comissão especial que abordou a “importância da assistência espiritual nos presídios e unidades de tratamento de dependência química”, pauta em sintonia com a atuação como pastor.



