
A troca na relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) representa uma nova fase na apuração envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Na quinta-feira (12), após sorteio, o ministro André Mendonça foi apontado como novo relator do processo na Corte. Ele substitui Dias Toffoli, mencionado em mensagens encontradas no celular do banqueiro investigado.
Apesar disso, em reunião, o STF entendeu que não há indícios para questionar a imparcialidade de Toffoli e validou as decisões já tomadas por ele no caso.
É tarefa do relator examinar o processo e acompanhar o andamento das investigações, cabendo a ele, por exemplo, autorizar diligências.
Próximos passos
Nesta sexta-feira (13), como revelou o colunista de GZH Matheus Schuch, delegados da Polícia Federal (PF) foram chamados para uma reunião com Mendonça. O encontro, segundo a assessoria do tribunal, é para que o ministro seja colocado a par do estágio das investigações sobre o Banco Master.
Ao assumir a relatoria, André Mendonça deve examinar o que já foi produzido pela investigação, que chegou ao STF em novembro de 2025. Conforme o jornal O Globo, há um relatório da Polícia Federal encaminhado ao tribunal, além de novas frentes de apuração em curso, com a análise de informações de celulares apreendidos no inquérito. É possível que o material contenha nomes de autoridades com foro privilegiado, encontrados em conversas com Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel.
O novo relator também terá de decidir sobre o foro do caso, ou seja, se há elementos para manter a investigação no STF ou se o processo deverá ser enviado, em parte ou totalmente, à primeira instância. Toffoli havia determinado que o caso tramitasse no Supremo pois havia indícios de envolvimento de uma pessoa com foro privilegiado. Segundo o jornal, a tendência é que o caso permaneça no Supremo pelo menos até a análise do relatório da PF — o prazo para conclusão se encerra em março.
Saída de Toffoli
Em nota na quinta-feira, o STF afirmou que o ministro Dias Toffoli — "considerados os altos interesses institucionais" — pediu que o tema fosse redistribuído para a relatoria de outro magistrado.
O documento foi assinado pelos outros 10 ministros da Corte, que demonstram apoio pessoal a Toffoli e defenderam as ações do magistrado, declarando "não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição".
A saída de Toffoli da relatoria ocorre um dia depois da divulgação de que a Polícia Federal encontrou menções a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira investigada. Por isso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pediu a suspeição do ministro Toffoli.
Na quinta-feira, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, convocou uma reunião com os ministros para discutir o tema. Após o encontro, a saída de Toffoli da relatoria foi divulgada, apesar de ele mesmo negar a necessidade de suspeição em resposta encaminhada a Fachin. Toffoli também negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro.
Caso Master
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal. Segundo as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
Vorcaro foi preso enquanto tentava deixar o Brasil em novembro de 2025. Ele foi libertado 10 dias depois e é monitorado por tornozeleira eletrônica desde então.



