
Disposto a reforçar o desejo de uma aliança em torno da candidatura de Juliana Brizola ao governo do Estado, o PDT vai solicitar uma reunião com o PT. A ideia é reabrir a mesa de negociação após o Carnaval, na esteira do encontro de Juliana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O convite ao PT deve ser formalizado na quarta ou quinta-feira da próxima semana.
Lula e Juliana conversaram durante cerca de 40 minutos na última quarta-feira (11). Durante a reunião, o presidente disse estar preocupado em montar palanques que garantam sua vitória nos Estados — Lula tem se dedicado à formação de candidaturas estaduais desde o final do ano passado. Foi a deixa para Juliana manifestar o desejo de ser a candidata lulista no Rio Grande do Sul.
— Eu quero ser o seu palanque e fazer o senhor voltar a vencer no Rio Grande do Sul. Vamos fazer o "Lula lá e Brizola aqui" — disse Juliana ao presidente, antecipando um slogan de campanha e lembrando que o petista não ganha uma eleição presidencial no Estado desde 2002.
O PT tem perdido competitividade no Estado na última década. Em 2018 e 2022, o partido amargou o terceiro lugar na eleição para governador e deixou seus candidatos à Presidência sem palanque no segundo turno.
Durante o encontro, Lula disse que provavelmente não poderá atender integralmente aos pedidos do PDT. Presidente nacional do partido e presente à reunião, Carlos Lupi havia solicitado apoio do PT às candidaturas de Juliana no RS, Requião Filho no Paraná e Alexandre Kalil em Minas Gerais.
O presidente disse que havia convencido o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a concorrer ao governo mineiro. Em contrapartida, afirmou que simpatiza com a candidatura de Juliana e orientou o PDT a conduzir com sensibilidade o processo de negociação com o PT. Ao mesmo tempo, afiançou que a direção nacional petista irá conversar com o diretório estadual em busca de entendimento.
No final da audiência, Lula chamou ao gabinete o fotógrafo da Presidência da República, Ricardo Stuckert, posou para uma foto segurando as mãos de Lupi e Juliana e autorizou a divulgação da imagem.
O antes e o depois do encontro
O encontro de Juliana com Lula foi acertado uma semana antes. Na quarta-feira anterior (4), Lupi se reuniu em Brasília com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Na ocasião, ambos ligaram para Lula. O presidente pediu então que Lupi levasse Juliana ao Palácio do Planalto, pois queria conhecê-la.
Na ocasião, Lupi publicou em redes sociais uma foto com Edinho, dizendo ter recebido "a confirmação do compromisso petista" de apoiar Juliana no RS, Kalil em Minas Gerais e Requião no Paraná. A publicação causou um burburinho no PT e Edinho divulgou nota oficial desmentindo qualquer acerto.

A controvérsia gerou receio no PDT de que a reunião com Lula fosse cancelada. Porém, na segunda-feira (9), Lupi ligou para Juliana informando que ambos seriam recebidos por Lula no início da noite de quarta-feira.
Internamente, o PDT procura agora avançar na construção de uma aliança sem fazer qualquer gesto que possa causar melindres ao PT. O objetivo dos trabalhistas e da direção nacional petista é evitar movimentos que sejam vistos pelo diretório gaúcho como uma intervenção.
Ciente da resistência do PT à presença do PDT na gestão Eduardo Leite, Lupi pretende encaminhar uma lenta e gradual saída da base governista. O partido ainda não definiu como isso será feito, mas ganha tração a ideia de fazer um comunicado oficial ao governador de que o PDT tem candidatura própria e está colocando seus cargos à disposição.
A entrega dos postos, porém, só ocorreria formalmente em abril, no prazo final de desincompatibilização, sob alegação de que os atuais secretários do partido ainda têm programas, obras e políticas públicas em andamento. Tal estratégia também visa não desagradar a ala pedetista mais aderente ao governo e que não simpatiza com uma aliança com o PT.
A reação no PT
O encontro de Juliana com Lula, sucedido pela publicação da fotografia de ambos de mãos dadas, causou ruídos no PT gaúcho. O grupo de Edegar Pretto tratou de reafirmar sua pré-candidatura, tratando o evento como natural.
— Não temos, neste momento, qualquer motivo para criar instabilidade na candidatura do Edegar. Vou seguir rigorosamente defendendo a decisão que foi tomada. Qualquer outro encaminhamento, se porventura acontecer, vai passar pelas instâncias do partido. A única coisa que a gente tem é uma foto — disse na quinta-feira o presidente estadual, Valdeci Oliveira.
No diretório, a ordem é seguir trabalhando com o objetivo de consolidar a candidatura de Pretto. Na mesma quarta-feira em que Lula e Juliana conversaram em Brasília, o partido recebia em Porto Alegre um marqueteiro para discutir a condução da estratégia de campanha. A expectativa é fechar contrato na próxima semana. O partido também procura lugar para a instalação do comitê central e alinha a caravana que irá percorrer o Estado a partir de 28 de fevereiro.

