
O deputado federal Adilson Barroso (PL-SP) deverá substituir Carla Zambelli (PL-SP) na Câmara dos Deputados. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, na sexta-feira (12), para cassar o mandato da parlamentar. No domingo (14), ela entregou carta renunciando ao mandato.
Presa na Itália, para onde fugiu em meados de junho, Zambelli foi condenada a mais de 10 anos de prisão por comandar uma invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A perda do mandato faz parte da sentença da deputada federal. No entanto, na quarta-feira (10), o plenário da Câmara rejeitou a cassação do mandato da parlamentar.
Após a reposição da determinação pelo STF, a vaga deverá ser herdada por Barroso, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que migrou para o PL nas eleições de 2022. Nas redes, ele se define como "bolsonarista de direita, conservador, patriota, amigo de Bolsonaro, Michele Bolsonaro e Nikolas Ferreira".
Antes disso, o deputado foi presidente do Patriota e trabalhou, em 2018 e 2021, para trazer Bolsonaro para o partido. A articulação, porém, fracassou após Barroso ser expulso da presidência da legenda. Ovasco Resende, que era contrário, assumiu a função e minou os planos.
Barroso já ocupava o cargo na Câmara em razão de ser o primeiro suplente do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), licenciado para exercer o comando da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Em 2022, Derrite disputou a eleição como candidato do PL.
Antes de 2022, a atuação política de Barroso ficou dentro do Estado de São Paulo. Ele foi vereador de Barrinha (SP) por dois mandatos e vice-prefeito do município entre 1997 e 2002.
Depois, foi eleito deputado estadual de São Paulo entre 2003 e 2007. Foi fundador do Partido Ecológico Nacional, em 2012, que acabou virando o Patriota.
Prazo vence na segunda
Na sexta, Barroso disse à reportagem que esperava ser comunicado oficialmente sobre a posse. Segundo ele, o prazo formal se encerra na próxima segunda-feira (15).
— O prazo vence na segunda-feira. A decisão já foi dada, e decisão tem que ser cumprida. Então, semana que vem a gente está lá para trabalhar — afirmou.
O deputado declarou ainda que já esperava que a cassação de Carla Zambelli ocorresse em algum momento, diante do contexto das condenações que envolvem a parlamentar, mas ressaltou que discorda dos processos que levaram à perda do mandato.
— Não concordo com o processo ligado ao hacker, com gente ligada à esquerda, daquele período da prisão do Lula. Não dá para confiar num processo conduzido dessa forma. Também no caso da arma: se fosse, por exemplo, o (André) Janones (Avante-MG), ele teria feito um acordo, como fez em outro episódio, e estaria livre. Quando é alguém da direita, acaba sendo condenado e cassado — disse.
Apesar das críticas, Barroso afirmou que decisões judiciais devem ser respeitadas.
— Eu não concordo com nenhum desses processos, nem com as condenações. Mas decisão judicial se cumpre, se aceita — concluiu.

