
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou seu perfil na rede social X para criticar a ação de Glauber Braga (PSOL-RJ), que ocupou a cadeira da presidência da Casa na tarde desta terça-feira (9).
Na publicação, Motta afirma que Glauber Braga "desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo".
O presidente da Câmara também diz que "o agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica".
Também no X, o líder do PT na Câmara, Lindberg Farias, criticou a retirada da imprensa do plenário e do uso da Polícia Legislativa para remover Braga da mesa diretora.
"Jornalistas foram expulsos do Plenário, impedidos de registrar e fiscalizar os atos da Presidência, e o sinal de transmissão da TV Câmara foi desligado", publicou.
Tumulto na Câmara
A confusão teve início quando deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados e se recusou a deixar o local na tarde desta terça-feira (9).
— Me arranquem da cadeira e me tirem do plenário — disse Braga ao ocupar a mesa.
Policiais legislativos da Casa esvaziaram o plenário e a transmissão da sessão foi interrompida após a fala do parlamentar. Além disso, a imprensa foi retirada do plenário e impedida de acompanhar a movimentação.
— Eu vou me manter aqui firme até o final dessa história. Se o presidente da Câmara quiser tomar uma atitude diferente daquela que ele tomou com os golpistas que ocuparam essa mesa diretora e que até hoje não tiveram qualquer punição, essa é uma responsabilidade dele. Eu aqui ficarei até o limite das minhas forças — completou Braga.
O protesto do parlamenta do PSOL aconteceu após Motta afirmar que os deputados iriam analisar uma possível cassação de mandato de Glauber, que é é acusado de agressão a um manifestante na Casa.
Ocupação em agosto
No dia 5 de agosto, senadores e deputados da oposição ocuparam as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados para protestar contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que havia sido decretada no dia anterior pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Ao chegar no plenário da Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta, teve dificuldades de assumir sua cadeira na Mesa Diretora, impedido por alguns parlamentares, especialmente os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS).
Os senadores e deputados pernoitaram no local, inviabilizando os trabalhos legislativos. Eles exigiam ainda que fossem pautadas as propostas de anistia geral e irrestrita aos condenados por tentativa de golpe de Estado no julgamento da trama golpista e o impeachment de Moraes. A Polícia Legislativa não chegou a intervir.




