
Quase metade do primeiro escalão do governo Eduardo Leite, composto por 30 secretários, deve renunciar aos cargos para concorrer na eleição de 2026. Na prefeitura de Porto Alegre, a estimativa é de que cinco secretários deixem o Paço Municipal.
- Veja, mais abaixo, os possíveis candidatos
Em geral, o prazo para desincompatibilização para quem é ordenador de despesas é de seis meses antes da eleição. Dessa forma, os secretários que desejam disputar cargo público precisam ser exonerados até 4 de abril.
O mesmo vale para o governador Eduardo Leite, que cogita concorrer ao Senado. Nas eleições de 2022, quando ainda almejava concorrer à Presidência da República, Leite renunciou no final de março daquele ano e entregou o posto para o então vice, Ranolfo Vieira Júnior. Posteriormente, o governador decidiu concorrer ao Piratini e foi reeleito.
Impacto no governo do Estado
No Piratini, a legislação vai provocar uma mudança radical na composição do secretariado. Dos 30 titulares, 14 cogitam uma candidatura a deputado estadual ou federal. A exceção é Ernani Polo, que busca ser vice-governador na chapa de Gabriel Souza (MDB).
Entre os postulantes ao parlamento, o maior contingente está concentrado no PSD, partido de Leite. Todos os quatro secretários da sigla pretendem concorrer (Arita Bergmann, Fábia Richter, Jorge Pozzobom e Juliano Franczak, o Gaúcho da Geral). Amiga pessoal de Leite, Paula Mascarenhas está deixando a presidência do PSDB e tende a migrar para o PSD para tentar se eleger deputada estadual.
Principal aliado na coalização governista, o MDB tem três secretários na condição de pré-candidatos (Beto Fantinel, Edivilson Brum e Juvir Costella). No PDT, os dois secretários tentam a reeleição na Assembleia Legislativa (Eduardo Loureiro e Gilmar Sossella).
A lista é completada por Ronaldo Santini (Podemos), Carlos Gomes (Republicanos) e Fabrício Peruchin (União Brasil). Peruchin pretende permanecer no governo, mas o partido conta com a candidatura dele para fazer legenda.
A grande dúvida no governo é sobre o futuro de Eduardo Leite. Em nova reunião com partidos aliados, o governador voltou a dizer nesta semana que cogita não disputar o Senado em 2026.
Seja qual for a decisão, a tendência é de que o secretariado seja remontado com uma redistribuição dos cargos aos partidos que estiveram na aliança em torno de Gabriel Souza. Leite e Gabriel já acertaram a permanência dos quadros técnicos, como os secretários da Casa Civil, Artur Lemos, e da Fazenda, Pricilla Santana, entre outros.
Situação em Porto Alegre
Na prefeitura da Capital, a defecção será bem menor. Dos 30 membros do primeiro escalão, cinco devem concorrer. O primeiro nome confirmado é o de Fernanda Barth (PL), que, nos próximos dias, deixa a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para se dedicar à campanha a deputada federal.
Em abril, estão previstas as saídas de Leonardo Pascoal (PL), Vitorino Baseggio (MDB) e Giuseppe Riesgo (Novo), todos candidatos a deputado estadual. Como não é ordenadora de despesas, Fátima Daudt, titular do Escritório de Representação de Porto Alegre no Distrito Federal, deve sair apenas em junho, a quatro meses da eleição.
Ainda há incertezas sobre a permanência de Cassio Trogildo (Podemos) e Alexandre Aragon (PL). Ambos pretendem ficar no governo, mas podem ser convocados pelos partidos a concorrer.
Com frequência, surgem rumores de que o prefeito Sebastião Melo (MDB) poderia renunciar em abril para concorrer ao governo do Estado, entrando numa disputa interna com Gabriel Souza. Todavia, Melo tem reafirmado publicamente que pretende cumprir o segundo mandato até o fim, em 2028.



