
Uma operação da Polícia Federal (PF) contra o desvio de recursos públicos está sendo realizada nesta sexta-feira (19). Os alvos seriam os parlamentares e assessores, suspeitos da prática.
Os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro, são alvos de mandados de busca e apreensão.
A investigação é um desdobramento da Operação Rent a Car, de 2024. De acordo com a PF, agentes políticos teriam atuado de forma coordenada para o desvio dos valores do orçamento público e posterior ocultação de verba pública. São apurados crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
No flat de Sóstenes, em Brasília, a PF encontrou R$ 430 mil em espécie. O dinheiro foi apreendido e terá a origem apurada.
Segundo a jornalista Camila Bonfim, trocas de mensagens e depoimentos colhidos de assessores na ação de 2024 levou a Polícia até os parlamentares.
Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

O que dizem os deputados
Sem responder à imprensa, o deputado Carlos Jordy publicou em um stories no Instagram um breve vídeo, afirmando que é vítima de perseguição, e que a empresa citada é usada por eles desde o início do mandato.
Leia a transcrição:
"Pessoal, hoje dia 19 de dezembro de 2025, dia do aniversário da minha filha, 7 da manhã, a Polícia Federal acabou de sair daqui. Fizeram uma busca e apreensão, aliás, parece que buscam sempre fazer essas diligências contra mim em aniversários de pessoas da minha família.
No dia 18 de janeiro de 2024, fizeram uma busca e apreensão na minha casa, minha mãe inclusive dormia aqui, era aniversário da minha mãe, alegando que eu teria alguma participação com o 8 de janeiro e pegaram uma foto forjada que era uma foto, na verdade, de uma pessoa na posse do Bolsonaro e diziam que era do 8 de janeiro. No dia 19 de dezembro do ano passado fizeram essa busca e apreensão com esse mesmo motivo aqui. Por determinação de Flávio Dino fizeram nos meus assessores e era aniversário da minha filha, e hoje, novamente, evidentemente aniversário da minha filha, estão fazendo, novamente, essa busca e apreensão covarde, alegando que eu teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fachada com aluguel de carros, sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o início do meu primeiro mandato. A mesma empresa que o deputado Sóstenes, que também acredito que esteja sendo alvo de busca e apreensão, que também aluga veículos dessa mesma empresa desde o início do primeiro mandato dele.
E a alegação deles é tosca. Eles dizem que chama muito a atenção o número de veículos dessa empresa, que aluga para vários outros deputados, inclusive, dizendo que as outras empresas têm mais de 20 veículos, 20 veículos na sua frota, e a Harue locação de veículos tem apenas cinco veículos, por isso seria uma empresa de fachada.
Eu sei o que eles estão fazendo. Isso aqui é mais do que querer nos intimidar, é uma pesca probatória, é fishing expedition. Eu não vou me deixar abalar com isso. Mesmo fazendo essa covardia também com os meus pais que estão fazendo. Eles estão indo também, eles estão fazendo essa mesma busca e apreensão na casa dos meus pais.
Dois senhores, senhores de idade, dois idosos. Mas nós não vamos nos intimidar, eu não vou baixar minha cabeça pra essa covardia. Isso aqui pra mim vai ser mais um instrumento de ânimo pra enfrentar essa tirania, essa ditadura do judiciário que persegue seus adversários utilizando o aparato da Justiça, o aparato público, o aparato estatal. Nós vamos vencer essa batalha ano que vem e eu não vou jamais deixar com que isso aqui possa me intimidar, me coagir, me fazer baixar a cabeça. Eu vou enfrentar de cabeça em pé tudo isso e vamos vencer essa batalha ano que vem".
Sóstenes ainda não se manifestou sobre a operação.



