
A Câmara dos Deputados impediu, nesta terça-feira (9), a atuação de jornalistas que acompanhavam a sessão e a tentativa do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) de obstruir os trabalhos da Casa. Após saber que sua cassação seria votada, o parlamentar ocupou a cadeira do líder Hugo Motta (Republicanos-PB) e afirmou que não sairia do local.
A Polícia Legislativa expulsou a imprensa do plenário e das galerias. No momento em que agentes se preparavam para removê-lo à força, a transmissão ao vivo no YouTube da Câmara foi interrompida.
As imagens do momento em que o parlamentar é retirado à força da mesa da Presidência legislativa, foram registradas por celulares de outros deputados presentes (veja abaixo).
Durante a saída de Braga pelo Salão Verde, jornalistas foram empurrados por policiais, que alegaram necessidade de abrir passagem. A ação ocorreu próximo à entrada do plenário. A informação é do jornal O Globo.
Em nota (leia a íntegra abaixo), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiaram o cerceamento à imprensa e classificaram o corte do sinal como incompatível com a liberdade de expressão. As entidades cobraram apuração e responsabilização para evitar novas práticas de intimidação (leia abaixo a nota na íntegra).
Braga deixou o plenário escoltado por aliados, entre eles Lindbergh Farias (PT-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP), Jack Rocha (PT-ES) e Sâmia Bonfim (PSOL-SP). Nas redes sociais, Hugo Motta afirmou ter determinado investigação sobre possíveis excessos contra jornalistas.
Leia a nota na íntegra:
"A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) condenam com veemência o cerceamento ao trabalho dos jornalistas que acompanhavam a sessão plenária da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (9), em Brasília.
O impedimento do trabalho de jornalistas e o corte de sinal da TV Câmara são incompatíveis com o exercício da liberdade de imprensa.
A ANJ, ABERT e ANER esperam a apuração de responsabilidades para que tais práticas de intimidação não se repitam e que sejam preservados os princípios da Constituição Brasileira, que veda explicitamente a censura.
ABERT – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
ANJ – Associação Nacional de Jornais
ANER – Associação Nacional de Editores de Revistas"