
Internado para tratar de uma hérnia inguinal bilateral, Jair Bolsonaro deve passar por um novo procedimento no início da próxima semana por conta da crise de soluço. Foi o que revelou nesta quarta-feira (24), em entrevista à imprensa, o médico e cirurgião Cláudio Birolini.
Segundo ele, Bolsonaro será submetido a um bloqueio anestésico do nervo frênico, que não é um procedimento comum para curar soluços, mas está sendo avaliado como uma opção pela equipe médica do ex-presidente, que está internado no hospital DF Star, em Brasília.
O procedimento não cirúrgico deve ocorrer após alguns dias de recuperação da cirurgia de hérnia inguinal bilateral, que será feita nesta quinta-feira (25). A estimativa é de que a operação dure entre três e quatro horas e o ex-presidente fique internado por cinco a sete dias.
— Está previsto o bloqueio anestésico do nervo frênico, que é uma anestesia do nervo que inerva o diafragma. Depois da cirurgia de hérnia, vamos reavaliar a situação e ver se convém fazer esse bloqueio anestésico, que é um procedimento relativamente seguro, mas que não é o padrão de tratamento de soluço, então a gente precisa ver se o benefício justifica o risco — disse Birolini.
Diferente da cirurgia da hérnia pela qual o ex-presidente passou em abril, de caráter emergencial, em que havia uma série de variáveis que os médicos não tinham controle, é esperado que esta cirurgia ocorra "sem maiores intercorrências", segundo o médico.
Na época, foi feita a correção das hérnias que "deformavam" o abdômen de Bolsonaro.
— Foi colocada uma tela que ocupa toda a parede abdominal anterior dele. Isso causa uma diminuição da elasticidade da parede abdominal, levando a um aumento secundário da pressão intrabdominal — explica o cirurgião.
Posteriormente, o ex-presidente passou a ter crises intensas de soluço, que também causam um aumento da pressão intrabdominal. Com isso, ele voltou a sentir incômodo, tornando necessária mais uma cirurgia para as hérnias.
— Ele já tinha uma fraqueza da parede abdominal na região ingnal. Esse aumento da pressão abdominal resultante da cirurgia e das crises de solução fez com que essa fraqueza se manifestasse clinicamente através de uma hérnia ingnal. Daí a necessidade da cirurgia — continua Birolini, que reforça que a cirurgia não atua nas crises de soluço, problema que seria resolvido pelo procedimento anestésico na próxima semana.
A hérnia acontece quando há uma frouxidão ou abertura na parede abdominal/pélvica que permite o extravasamento de alças do intestino ou de outros tecidos por meio dessa abertura. O quadro leva à formação de um caroço e pode trazer dor e desconforto, em especial durante esforço físico.
Quando esse extravasamento ocorre na região da virilha, a hérnia é chamada de inguinal. Ela é considerada bilateral quando atinge a virilha direita e a esquerda simultaneamente.
— É realizado um corte de cada lado da virilha, a hérnia é empurrada para dentro, é feita uma sutura da área fraca e, na sequência, um reforço tecidual com uma tela de propileno — explica o médico que realizará a cirurgia nesta quinta-feira.
Retorno à prisão
Questionado se Bolsonaro irá precisar de cuidados médicos específicos após o período de internação, ao retornar para a cela onde está preso na Polícia Federal, Birolini disse que a solicitação de profissionais de saúde poderá ser feita mediante necessidade.
— Se, em um determinado momento, a gente achar que ele tem condições de retornar, ele vai voltar (para a cela). E se houver necessidade de algum cuidado especial durante a carceragem, a gente estuda qual a melhor forma de lidar com isso. Se for o caso, solicitando autorização para visita de enfermeiro, médico, fisioterapeuta — disse.
Já de acordo com o cardiologista do ex-presidente, Brasil Ramos Caiado, Bolsonaro apresenta quadros de depressão e ansiedade prévios, potencializados pela preocupação pré-operatória.
— O presidente está deprimido, um pouco pela situação que ele está passando, e bastante ansioso. A ansiedade leva a um quadro recorrente de soluço, que atrapalha o sono dele — disse o médico, acrescentando que Bolsonaro está medicado tanto para as crises de soluço quanto para as questões de saúde mental.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente está na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal, no Distrito Federal.




