
O Hospital DF Star divulgou na tarde desta quarta-feira (24) o boletim médico com a avaliação cardiológica e de risco cirúrgico do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. De acordo com a nota encaminhada à imprensa, o político está apto a passar pelo procedimento.
O documento também confirma que a cirurgia está marcada para quinta-feira (25) às 9h e tem uma previsão de quatro horas de duração. Trata-se de um procedimento eletivo para o tratamento da hérnia inguinal bilateral.
O médico diretor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Antonio Kalil, explica o que caracteriza a hérnia inguinal bilateral e fala sobre sua manifestação.
— A hérnia é uma protrusão de elementos da parte interna do abdômen em direção à parede abdominal. Ela ocorre normalmente por fraqueza da parede muscular — afirma o médico.
Segundo Kalil, nesses casos, saem elementos do abdômen como gordura peritoneal. Dependendo do tamanho da hérnia, até alças intestinais podem sair.
— As menores hérnias são pequenas aberturas na parede muscular em que saem gordura pré-peritoneal (camada de tecido adiposo localizada logo abaixo do peritônio) e epíplon (gordura que existe dentro do abdômen) — ilustra.
Conforme o médico, a situação enfrentada por Bolsonaro não tem relação com o atentado sofrido durante a campanha presidencial de 2018. Na ocasião, o então candidato foi esfaqueado no abdômen e passou por uma cirurgia no intestino.
— Essa hérnia inguinal bilateral não tem nada a ver com a questão da facada. Ali, pelos relatos, ocorreu uma hérnia incisional, que é diferente. A relacionada à cirurgia pela facada é uma condição que ocorre por fraqueza da parede após uma cirurgia abdominal — diferencia.
O que é hérnia inguinal?
A hérnia inguinal — conhecida ainda como hérnia na virilha — é uma condição que acontece quando os tecidos do interior do abdômen saem por um ponto da parede muscular abdominal. Essa saída ocorre na região inguinal (virilha) e forma um papo no local. Quando verifica-se nos dois lados, ela é chamada de bilateral.
Tratamento de soluço
A equipe médica ainda vai avaliar, durante a internação, a possibilidade de bloquear o nervo frênico por meio de anestesia, para tratar o soluço do ex-presidente.
A situação é causada por refluxo gastroesofágico e não tem relação com a hérnia inguinal bilateral.
Trata-se de um procedimento para interromper a função do diafragma com o objetivo de aliviar o diafragma irritado. Este bloqueio requer monitoramento respiratório.
— O soluço me parece que está mais relacionado, provavelmente, com essas bridas que se formam depois de cirurgias e que podem levar a episódios de suboclusão intestinal. Tem dificuldades de progressão do alimento e acaba podendo gerar esses soluços — afirma Kalil.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O político está na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal, no Distrito Federal.
