
Após reunião de emergência na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, nesta segunda-feira (24), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o "objetivo único" da oposição é aprovar a anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro. Ele foi escolhido pela família como porta-voz e vai ser responsável por expressar as manifestações de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no sábado (22) após tentar violar tornozeleira eletrônica.
— Nosso objetivo único a partir deste momento é o projeto de anistia na Câmara dos Deputados. Não abrimos mão de isentar essas punições absurdas, ainda mais depois dessa decisão de tirar Bolsonaro da prisão domiciliar — disse Flavio após a reunião com 50 parlamentares federais em Brasília, além de Michelle Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan e o advogado Paulo Bueno.
Flávio afirmou que um eventual projeto de lei que foque na redução de penas dos condenados no 8 de Janeiro não interessa ao PL. Mas os parlamentares defendem que a proposta seja primeiro colocada em votação para então se votar qual o texto a ser aprovado.
— Não abrimos mão de buscar isentar essas punições absurdas que estão sendo impostas a pessoas inocentes, ainda mais depois desse último ato de tirar o presidente Bolsonaro da prisão domiciliar com base em intolerância religiosa — afirmou o senador.
A acusação de intolerância religiosa reside no fato de que Moraes embasou parte de sua decisão na convocação de uma vigília que o próprio senador convocou para a noite do sábado. O ministro entendeu que ela poderia provocar uma confusão que facilitaria uma eventual fuga de Bolsonaro.
— Eu fiz um chamado para orar pelo presidente Bolsonaro, pela sua saúde, por justiça. E de uma forma mirabolante nós vimos isso ser transformado, ser criminalizado. Fomos acusados de organização criminosa por querer exercer nosso direito ao culto. Que isso sirva de alerta a todas as lideranças religiosas deste País, que se não abrirem o olho agora amanhã será tarde demais — disse Flávio.
O foco do discurso bolsonarista expõe uma estratégia de mirar a comunicação no "calcanhar de Aquiles" da decisão de Moraes, uma vez que a violação da tornozeleira, além de considerada mais grave, teve confissão gravada em vídeo pelo próprio ex-presidente.
— Das 17 páginas da decisão (de Moraes), tem um único parágrafo sobre a tornozeleira — declarou o senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, sugerindo que o principal subsídio para a prisão preventiva foi a vigília e não a violação da tornozeleira
As eleições de 2026 foram tratadas na reunião. Flávio afirmou que todas as definições de chapas e a própria sucessão de Bolsonaro passarão pelo ex-presidente.
Flavio diz que pai está com a saúde debilitada
O senador Flavio Bolsonaro também voltou a solicitar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorize a recondução de Jair Bolsonaro à prisão domiciliar. Ele alega que o pai está com a saúde debilitada.
— Quando vazam o vídeo dele com som, é um consenso de que a voz estava alterada e arrastada. Quando vem o laudo médico comprovando quais remédios ele tinha tomado, Alexandre de Moraes vira um negacionista da ciência — afirmou o senador.



