
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Lamaçal, na manhã da terça-feira (13), em Lajeado, no Vale do Taquari, a Polícia Federal localizou um cofre em um escritório de advocacia que pertence à família do ex-prefeito da cidade e ex- secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcelo Caumo (União Brasil). A ofensiva apura a suspeita de superfaturamento em contratações após repasses de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).
A equipe de policiais pretendia abrir o compartimento, mas familiares de Caumo que estavam no local não tinham a senha. Diante da insistência da PF em cumprir a diligência, os parentes contataram o próprio Caumo, que detinha o código, apesar de não ser mais sócio do escritório desde 2017, quando assumiu a prefeitura de Lajeado. Ele exerceu o cargo até o final de 2024. Depois, virou secretário estadual. Caumo forneceu a combinação e o cofre foi aberto. No seu interior, a PF localizou R$ 411 mil em espécie. A reportagem de Zero Hora obteve a confirmação das informações.
Nesta quinta-feira (13) pela manhã, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, Caumo comentou a localização dos recursos no escritório da família. Ele confirmou que saiu da sociedade a partir de 2017, quando se tornou prefeito, e disse que, até o ano de 2016, foram prestados alguns serviços advocatícios para uma das empresas investigadas na operação.
— É um escritório familiar, da minha família. O assunto do dinheiro a gente vai explicar em juízo. É um recurso particular, privado, e que envolve terceiros. É legal trabalhar com dinheiro vivo e vai ser explicado nos autos — respondeu Caumo.
Operação Lamaçal
A Operação Lamaçal foi deflagrada pela PF e Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo é apurar suposto superfaturamento em contratações feitas com recursos do FNAS.
A investigação começou com análise de R$ 4,5 milhões em contratos terceirizados, firmados pela prefeitura de Lajeado após a enchente ocorrida em maio de 2024. O valor foi repassado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que controla o FNAS.
A PF investiga suspeita de irregularidades em licitação da prefeitura para contratação de empresa de prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado por Lajeado em 2024 após a enchente. Conforme a PF, há indícios de que a contratação direta da empresa investigada tenha ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e de que os valores contratados estariam acima do valor de mercado. De acordo com a investigação, a empresa que prestou serviços para o município teria uma controladora que seria ligada a outra empresa, que teria firmado contratos com o município em 2020. O cálculo é que essas primeiras contratações, de cinco anos atrás, envolveriam verba de R$ 115 milhões, também para terceirização de servidores.
Pedido de demissão
Após a repercussão do caso, Caumo deixou o governo estadual nesta quinta-feira. O Palácio Piratini se manifestou em nota oficial. Confira a íntegra:
"O secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcelo Caumo, colocou o cargo à disposição nesta quinta-feira (13/11). O governador Eduardo Leite aceitou e pediu que ele apresentasse a carta com o pedido de exoneração. O secretário-adjunto Fernando Classmann irá assumir interinamente a pasta até que o governador defina o novo titular. A expectativa é de ter essa definição na próxima semana."




