
Centenas de petistas gaúchos trocaram o domingo (30) de céu azul e sol aberto pelos salões do tradicional Hotel Embaixador, no centro de Porto Alegre, para sacramentar as pré-candidaturas majoritárias do PT ao governo estadual e ao Senado.
O 24º Encontro Estadual do partido ungiu Edegar Pretto como pré-candidato a governador e Paulo Pimenta para senador.
A outra outra vaga para o Senado ficou reservada a uma aliada, a ex-deputada Manuela D’Ávila, que nos próximos dias assinará ficha de filiação ao PSOL. Ela participou da reunião do principal partido da esquerda brasileira.

Os petistas também decidiram que a vaga de vice será oferecida a outro partido aliado que queira participar da Frente Ampla que está em construção.
A ex-deputada federal Manuela e Pimenta, atual integrante da Câmara dos Deputados, ambos jornalistas de formação e candidatos ao Senado, se abraçaram e trataram de descontruir qualquer rivalidade do passado no campo da esquerda.
— Esse é mais um momento de construção da nossa unidade. O PT é o maior partido de esquerda do país e, quando ele decide, é de interesse de todos nós. É momento de união contra a extrema-direita — falou Manuela, ao justificar a união para tentar uma dobradinha esquerdista ao Senado.
Com visual novo (cabelos compridos), Manuela posou para fotos tomando chimarrão, devidamente partilhado com Paulo Pimenta. Ela também foi alvo de brincadeiras, como da deputada estadual Luciana Genro (PSOL), que falou à plateia petista.
— Sei que vocês do PT estão com inveja, agora que conseguimos conquistar a Manuela. Mas estaremos todos juntos logo à frente — gracejou Luciana.
Paulo Pimenta disse que, mais do que ampliar a base governista no Senado, o importante é impedir que "a direita fascista" tome o governo do Estado.
— E por isso que temos de eleger o Edegar Pretto — conclamou.
Pretto, que no momento preside a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), disse que sua candidatura tem o compromisso de derrotar "o neoliberalismo que governa o Rio Grande do Sul há oito anos", numa referência à gestão de Eduardo Leite (PSD) no Palácio Piratini.
— São anos de privatizações desastradas e arrocho salarial. Com muito orgulho venho da roça e nós, do campo, aprendemos a ter paciência. Conto os dias para, daqui a 10 meses, ajudar a decidir os destinos do Rio Grande nas urnas — criticou.
O encontro teve participação de petistas anônimos e de estrelas do partido, como os prefeitos de Pelotas (Marroni) e de Bagé (Mainardi), além de diversos deputados federais e estaduais.
Discursaram também presidentes estaduais e parlamentares de partidos que podem vir a apoiar a candidatura de Edegar Pretto, como o PSB, o PV, o Avante e o PCdoB.
Havia entre alguns a expectativa de que Juliana Brizola (PDT), bastante cotada nas intenções de voto para govenadora, aparecesse ao encontro petista, mas ela não foi.

Mas uma estrela galvanizou as atenções: o ex-governador Olívio Dutra (PT). Ele praticamente não conseguia caminhar pelos corredores, tal o volume de pedidos para tirar fotos. Atendeu a todos que pôde, pacientemente. E fez um dos discursos mais veementes, condenando petistas que votaram a favor da PEC da Blindagem (que dificultaria processos criminais contra parlamentares).
— Não reelejam esses companheiros. Reelejam, isso sim, o presidente Lula.



