
Após o ministro Alexandre de Moraes votar favorável para tornar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por coação no processo da trama golpista, o deputado federal classificou como "caça às bruxas" o julgamento que começou nesta sexta-feira (14) no Supremo Tribunal Federal (STF). Diretamente dos Estados Unidos, o parlamentar publicou vídeo com críticas ao magistrado na rede social X.
— Primeiro, se eu estiver cometendo algum crime aqui nos Estados Unidos, Moraes está acusando os Estados Unidos de proteger um criminoso. Segundo, por que ele não usa os canais oficiais, me manda carta rogatória? — disse no vídeo, com a legenda de "caça às bruxas".
Relator do caso, Moraes foi o primeiro a votar para aceitar a denúncia apresentada contra Eduardo pela Procuradoria-geral da República (PGR) – que acusa o parlamentar de tentar interferir no julgamento da trama golpista, que resultou na condenação de 27 anos e três meses de prisão ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Presidente da Primeira Turma do STF, Flávio Dino acompanhou o voto de Moraes.
Ao comentar sobre o mérito da denúncia, Eduardo afirma que não há fundamento para a acusação de coação apresentada pela PGR. No entanto, ele dirige as falas para Moraes.
— É impossível cometer o crime de coação, porque ele (Alexandre de Moraes) está dizendo que a (Lei) Magnitsky, tarifas e outras ações da administração de (Donald) Trump são porque eu comandei eles para tentar livrar meu pai da cadeia, o que é um absurdo — declarou.
Erradicado nos Estados Unidos desde o início deste ano, o parlamentar brasileiro assegura que os crimes não competem a ele e afirma que seu trabalho junto ao governo norte-americano é para pautar a anistia aos condenados pela trama golpista.
Antes de encerrar, Eduardo Bolsonaro também acusa Moraes de utilizar o STF para barrar uma possível vitória da direita nas eleições de 2026.
— Moraes está usando a política dentro do tribunal para limar a possibilidade que a direita tenha uma maioria no Senado ano que vem. Além de mim, Gustavo Gaia e vários outros deputados honestos, de passado limpo, estão sofrendo a mesma coisa, ainda que exista a imunidade parlamentar dentro da nossa Constituição.
Veja o vídeo
Julgamento no STF
Em plenário virtual, a Primeira Turma do STF começou a julgar nesta sexta-feira se aceita ou não a denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro.
Até o momento, dois ministros votaram favoráveis para tornar o parlamentar réu por coação: Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Restam os votos da ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin.
Caso a denúncia seja aceita, uma ação penal será aberta contra Eduardo Bolsonaro. O crime prevê multa de um a quatro anos de prisão.


