
Além de uma investigação da Polícia Federal sobre suposto direcionamento na terceirização de serviços, o ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo (União) está às voltas com outro problema: a suspeita de irregularidades em obras pós-enchente naquele município do Vale do Taquari. Elas são investigadas numa Comissão Parlamentar de Inquérito instituída pela Câmara de Vereadores lajeadense em outubro. A análise abrange também reparos que alcançam a gestão da atual prefeita, Gláucia Schumacher (PP).
As denúncias envolvem sobretudo contratos firmados com a empresa PDS Obras Ltda., que é a responsável por cerca de 500 pequenas obras executadas em Lajeado. Os trabalhos aconteceram nas duas gestões de Caumo (2017-2024) e também no de sua sucessora, Gláucia (que era vice-prefeita de Caumo nos dois mandatos).
São reparos de pequeno porte, como reconstrução de calçadas e parques atingidos por cheias do rio Taquari, sobretudo as de 2023 e 2024. Conforme a CPI, os contratos totalizam mais de R$ 15 milhões. As suspeitas de irregularidades abrangem, até o momento, 106 obras.
As obras foram contratadas por ata de registro de preços, por credenciamento e, alguns casos, com dispensa de licitação justificada pela urgência (pós-cheias).

Secretário da CPI e oposicionista, o vereador Eder Spohr (MDB) diz que há indícios de direcionamento de contratos e que algumas obras teriam sido pagas sem sua completa execução. Os parlamentares contrataram uma engenheira para periciar os trabalhos investigados.
— Medições e análises já realizadas apontam que parte das obras apresenta uso de materiais de baixa qualidade e diferenças entre o projeto e a execução — detalha o secretário da CPI.
Spohr usa como exemplo duas obras: um muro na rua Carlos Fett Filho, que teria sido pago com apenas 10% do trabalho concretizado. E a pintura do parque de eventos, que teria sido paga sem que as paredes fossem pintadas, acrescenta o vereador.
Além da CPI, uma investigação da própria prefeitura e outra do Ministério Público Estadual vão verificar possibilidade de superfaturamento e de pagamento por serviços não realizados. Os vereadores avaliam encaminhar os contratos para a Polícia Federal, já que parte das obras foi feita com recursos federais. Uma outra investigação da PF sobre seu período como prefeito levou Marcelo Caumo a se afastar do cargo de secretário estadual do Desenvolvimento, que exercia até a semana passada.
CONTRAPONTOS
O que diz o ex-prefeito Marcelo Caumo:
Caumo não se pronunciou para a reportagem, mas tem negado qualquer irregularidade.
O que diz a prefeita Gláucia Schumacher:
Em nota oficial, a prefeita afirma: "sou a maior interessada em apurar qualquer suspeita de irregularidade. Desde que recebemos a denúncia de possíveis problemas em obras, mesmo antes da CPI, já determinei a abertura de procedimento administrativo com posterior sindicância para apurar o caso. Os pagamentos à empresa investigada foram suspensos, assim como os contratos, além de retenção de valores referentes a trabalhos já executados. A sindicância irá apurar os fatos e eventuais responsabilizações, tanto de empresas quando de pessoas, para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis".
O que diz a empresa PDS:
A reportagem ainda não localizou os proprietários da PDS. Um representante da empresa apresentou na CPI de Lajeado um pen drive com as obras e o ritmo do andamento e negou qualquer irregularidade.



