
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou, neste domingo (23), comentar a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula foi questionado sobre o assunto durante coletiva de imprensa em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou da 20ª edição da cúpula de chefes de Estado e de governo do G20.
— Eu não faço comentário sobre uma decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão, ele (Bolsonaro) foi julgado, teve todo direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. Então, a Justiça decidiu, está decidido. Ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou, e todo mundo sabe o que ele fez — afirmou.
Bolsonaro foi preso no começo da manhã de sábado (22) por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido foi feito pela Polícia Federal (PF).
A decisão ainda não marca o início do cumprimento da pena imposta ao ex-presidente no caso da trama golpista. Em setembro, Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.
A decisão de Moraes que converteu a prisão domiciliar — na qual Bolsonaro estava desde 4 de agosto por descumprimento de medidas cautelares — em prisão preventiva se baseou em dois principais pontos: o risco iminente de uma possível fuga e uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho dele, para a noite de sábado.
O ministro citou ainda que foi constatada uma violação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente. Bolsonaro admitiu ter usado ferro de solda para violar o equipamento na madrugada de sábado.
Na coletiva, Lula também foi questionado sobre como a prisão de Bolsonaro poderia afetar a relação do Brasil com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente respondeu:
— Trump tem que saber que somos um país soberano, que a gente decide. E o que a gente decide aqui, está decidido — disse.

