
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o relator da anistia, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), mencionou abertamente a possibilidade de beneficiar Jair Bolsonaro (PL) e disse que, segundo um texto "passado por lideranças", haveria redução de 11 anos na pena do ex-presidente.
O relator se reuniu com a bancada do PT na tarde desta quarta-feira (24). Paulinho da Força faz uma série de reuniões nesta semana com lideranças sobre a proposta.
— Ele foi sincero, ele falou abertamente em redução de penas para Jair Bolsonaro. Eu tive acesso a um texto em que há redução de pena para crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Golpe de Estado cairia para dois a seis anos. É menos que roubo a um celular. É menos que crimes patrimoniais — disse Lindbergh.
— Nós temos uma das menores penas para golpe de Estado. Tem gente que fala em redução de pena do Bolsonaro de 11 anos. Tem gente que fala mais. É uma interferência concreta num julgamento em curso, que não acabou. Ainda tem acórdão, ainda tem embargos — prosseguiu.
No encontro, os petistas disseram ser contrários tanto ao projeto de anistia quanto à proposta de reduzir penas dos condenados pelos atos golpistas.
O líder do PT ainda afirmou que o plenário pode deixar de votar o projeto de ampliação da isenção do Imposto de Renda caso o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decida pautar na semana que vem o projeto de anistia, agora intitulado "PL da Dosimetria". A votação do projeto sobre o IR está marcada para a quarta-feira, 1º de outubro.
— Ontem (terça-feira), nós tivemos reunião do Colégio de Líderes. O que ficou acertado é a votação do Imposto de Renda para a próxima quarta-feira, tributação dos mais ricos. Isso é uma pauta que está vinculada à vida do povo — disse.
Lindbergh acrescentou:
— E se a gente tumultua colocando um tema como esse, tanto a anistia como a revisão de penas, a chance da gente não votar o Imposto de Renda é grande. Até porque nós sabemos que, quando for discutida a revisão de penas, que a gente é contra, vai ter um destaque do PL de anistia ampla, geral e irrestrita.
Para o líder do PT, pautar a anistia para a próxima semana seria "errar novamente".
— Quem pautar, e é o presidente que pauta isso, está correndo o risco de escalar novamente, numa afronta institucional, num ataque ao Supremo — concluiu.
Paulinho da Força diz que votação pode ser na terça
Paulinho da Força afirmou que "tudo leva a crer que é possível" a votação da matéria no plenário na próxima terça-feira (30). O relator disse que ainda terá reuniões sobre a votação e que conversará com Motta, para acertar um cronograma de apreciação do texto.
— Ainda tenho uma série de conversas hoje (quarta-feira, 24). Eu vou falar com o Hugo Motta para acertar o calendário da votação, mas acho que tudo leva a crer que é possível votar na próxima terça-feira — disse.
Ele também destacou que se não votar a anistia, acha que não haverá votação sobre o Imposto de Renda.


