
Presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin Martins, 49 anos, irá conduzir o julgamento em que Jair Bolsonaro e outros sete réus são acusados de abolição violenta do Estado democrático de direito e outros quatro crimes cujas penas, somadas, podem resultar em 43 anos de prisão a cada um dos envolvidos.
O posto faz dele o último a votar, podendo ser o dono do voto decisivo em caso de empate. Paulista de Piracicaba, Zanin é formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Perfil de Zanin nas decisões
A contundência com que conduziu a defesa de Lula e os embates mantidos com o então juiz Sergio Moro realçaram seu perfil de defensor aguerrido dos direitos do réu, ou seja, um garantista.
Zanin chegou ao STF por indicação de Lula, em agosto de 2023, na vaga do ministro Ricardo Lewandowski. A sucessão manteve o equilíbrio da Corte, com um garantista dando lugar a outro.
Como Zanin deve voltar no julgamento da trama golpista
Seu posicionamento no atual processo projeta um voto pela condenação de Jair Bolsonaro.
Histórico de Cristiano Zanin
Foi professor de direito civil e direito processual, com carreira consagrada na advocacia privada. Zanin atuou em causas de direito econômico, empresarial e societário, mas se especializou em ações criminais, alcançando notoriedade nacional à frente da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dos 135 processos que Zanin atuou no Supremo Tribunal Federal (STF) até abril de 2023, 88 eram em defesa de Lula e sua família. Foi ele que, em 2021, impetrou na Corte o habeas corpus que acabou anulando as condenações do petista, abrindo caminho à vitória na eleição do ano seguinte.
Zanin assumiu as causas de Lula em 2013, por intermédio do escritório do advogado Roberto Teixeira, padrinho de um dos filhos do presidente. Além de sócio de Teixeira na época, Zanin é casado com uma das filhas dele, Valeska.

