
A movimentação explícita de policiais armados não deixa dúvidas: o Supremo Tribunal Federal (STF) está na iminência de realizar o maior julgamento de sua história. Cercada por barreiras duplas de gradis e sob proteção de dezenas de agentes exibindo fuzis e escopetas, a Suprema Corte começa na terça-feira (2) a definir o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete membros do seu governo, acusados de planejarem a ruptura da ordem constitucional após perderem a eleição de 2022.
Na véspera da primeira sessão de julgamento, pouca gente circula nesta segunda-feira pelo entorno da sede do STF. No céu, um helicóptero da Polícia Militar do Distrito Federal vasculha as redondezas. Dentro do complexo judiciário, a todo instante passam agentes da Polícia Judiciária portando pistolas, bombas de gás e armas longas.
Na entrada do Anexo II, funcionários terminam a montagem de tendas para receber parte dos 501 jornalistas credenciados para o julgamento. Dentro do prédio, servidores acertam os últimos detalhes para a sessão da Primeira Turma, colegiado que julgará os oito réus.
Na Praça dos Três Poderes, policiais de moto e bicicleta circulam sob um calor de 31°C. Alheias à movimentação ostensiva das forças de segurança, a empresária Fernanda Bueno, 35 anos, e a biomédica Helen Garcia, aproveitam para fazer turismo antes do fechamento total do passeio.
— A gente veio fazer um curso e aproveitou pra conhecer a cidade. Queria ficar mais um dia para acompanhar o julgamento. É um acontecimento histórico. Triste, por ter mais um ex-presidente sendo julgado, mas histórico — diz Fernanda.
Em prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro recebeu ao menos duas visitas. No final da manhã, chegou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que permaneceu por cerca de duas horas na residência. Eles rezaram juntos antes de ela ir embora, por volta das 13h.
À tarde, Bolsonaro recebeu o deputado e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) por cerca de uma hora. Para despistar a imprensa, Damares e Lira acessaram a residência por uma via secundária, a três quilômetros da entrada principal do condomínio.

Desde que retornou dos Estados Unidos, em março de 2023, Bolsonaro mora em uma casa de 400 metros quadrados em um residencial fechado a 10 quilômetros da Praça dos Três Poderes. O ex-presidente irá assistir ao julgamento pela televisão, ao lado da esposa Michelle.
Na avenida em frente ao condomínio, vizinhos passam de carro gritando palavras de ordem contra e a favor de Bolsonaro. No final da tarde, o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) chegou até a frente do condomínio segurando uma bandeira do Brasil.
— Vim gravar um vídeo convocando o povo para os atos de 7 de Setembro, que este ano vai coincidir com o julgamento. Queremos fazer algo maior desta vez, pois estamos focados em aprovar a anistia no Congresso — afirmou.





