
Durante a segunda edição do evento "Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos", realizado em Nova York paralelamente à Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente sobre os riscos que a democracia enfrenta diante do crescimento da extrema-direita.
Reunindo líderes de cerca de 30 países, incluindo Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai) e Gustavo Petro (Colômbia), o encontro teve como foco a articulação internacional contra o negacionismo, o discurso fascista e o enfraquecimento das instituições democráticas.
Lula relembrou sua trajetória política desde 1989, destacando a importância da organização popular para a conquista de espaços democráticos. Segundo ele, a esquerda latino-americana precisa retomar suas raízes de mobilização social, como os núcleos por bairro, categoria e local de trabalho que marcaram o início do Partido dos Trabalhadores.
— Se nós não organizamos, a democracia perdeu — afirmou, ao cobrar maior engajamento dos líderes progressistas na defesa ativa dos valores democráticos.
O presidente brasileiro também fez uma autocrítica ao campo democrático, questionando os erros que permitiram o avanço da extrema-direita.
— É virtude deles ou é incompetência nossa? — provocou, ao apontar que muitas vezes os governos de esquerda acabam cedendo mais às pressões do mercado e da imprensa do que às demandas de seus próprios eleitores.
Para Lula, esse distanciamento da base social é um dos fatores que contribuem para o enfraquecimento da democracia.
O crescimento da extrema-direita, segundo Lula, não pode ser visto apenas como resultado de estratégias bem-sucedidas dos adversários, mas também como consequência da omissão dos democratas. Ele defendeu que a resposta ao extremismo deve vir da reconstrução de vínculos com a sociedade civil e da valorização da participação popular.
— Se a gente não encontrar essa resposta, vamos continuar sendo sufocados pelo negacionismo e pelo discurso fascista — alertou.
O evento reforça a tentativa de líderes progressistas de criar uma frente internacional contra o avanço autoritário, em um momento em que movimentos de extrema-direita ganham força em diversos países.


