- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (23) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York
- Dentre os temas que devem constar no discurso de Lula estão soberania nacional, multilateralismo e conflitos como os que acontecem em Gaza e na Ucrânia
- O Brasil é o primeiro a discursar, como acontece tradicionalmente desde 1955, seguido pelos Estados Unidos
O encontro
Principal fórum de debate entre os países do mundo, a Assembleia Geral da ONU chega à 80ª edição, marcando também os 80 anos da fundação da entidade, em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Tradicionalmente, o representante brasileiro faz o discurso inaugural do chamado Debate Geral, reunião de chefes de Estado no início da assembleia na qual os líderes mundiais fazem declarações apresentando suas posições e prioridades diante dos principais desafios globais do momento. Dessa forma, a tarefa ficará mais uma vez para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz nesta terça-feira (23), por volta das 10h, o seu nono discurso na Assembleia Geral — em 2005 e 2010, apesar de estar exercendo a presidência da República, Lula não compareceu.
A professora de direito internacional e relações internacionais da UFRGS Tatiana Squeff considera "muito simbólica" a posição do Brasil como responsável pelo discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU.
— Remete aos primórdios das atividades da ONU, à importância da diplomacia brasileira na formação da própria organização, e mantém em destaque a relevância histórica da política externa do país, dando ao representante brasileiro a oportunidade de, a partir de sua fala, dar o tom inicial dos debates entre as 193 nações filiadas à ONU — analisa.
Trump fala na sequência
O representante dos Estados Unidos é o segundo a discursar na Assembleia Geral, em razão de o país sediar a instalação da Organização das Nações Unidas. Isso significa que Donald Trump sucederá Lula no púlpito da ONU.
A assembleia deste ano ocorre em meio a um dos piores momentos da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos na história. Além disso, a fala de Trump deve contrapor alguns dos pontos defendidos por Lula em sua manifestação.
— Trump deve falar de como as organizações globalistas tentam corromper a ordem mundial e como um suposto radicalismo de esquerda é perigoso, talvez mencionando ainda diretamente o assassinato de Charlie Kirk, cujo velório ocorreu no domingo (21). Ele também deve falar sobre a necessidade de proteção da liberdade de expressão a nível global, e, em relação aos conflitos, deve tentar se posicionar como um possível arquiteto da paz entre Rússia e Ucrânia, dando menos destaque para o conflito em Gaza — destaca o professor Fabricio Pontin.
Outras agendas de Lula nos EUA
O presidente Lula desembarcou nos Estados Unidos no domingo. Segundo o Itamaraty, o brasileiro manterá encontros com o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, e com chefes de Estado e de governo de outras nações, além de participar de outras agendas.
Na segunda-feira (22), Lula participou da segunda sessão da Conferência Internacional de Alto Nível para a Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, convocada por França e Arábia Saudita. Nos últimos dias, diversos países fizeram reconhecimento formal do Estado Palestino.
Nesta terça-feira, além de discursar aos líderes mundiais, Lula deverá participar de um evento sobre ação climática, voltado a impulsionar a mobilização internacional e estimular a apresentação de novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) rumo à COP30. Também na pauta ambiental, o presidente deve apresentar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação desse tipo de ecossistema.
Na quarta-feira (24), o presidente participa da segunda edição do evento Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo, acompanhado de representantes de cerca de 30 países. Além do Brasil, lideram a iniciativa o presidente do Chile, Gabriel Boric, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

