
Criticado por bolsonaristas por ter dito que houve um "planejamento de golpe" no Brasil, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, recuou da posição em entrevista ao Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta terça-feira (16). Para o líder da sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que ocorreu foi um "movimento para o golpe" :
— O pessoal da direita não queria que a gente deixasse o Lula assumir. (...) Usei o termo planejamento, mas usei errado, errei. Depois eu consertei — afirmou.
Valdemar Costa Neto disse ainda que tramar algo não se encaixa como crime:
— Se tivesse trama, não seria crime. No Brasil não é crime.
Mesmo sobre um suposto plano para matar autoridades, o presidente do PL reforçou que não houve crime.
— Envenenar o Alexandre, o Lula, o Alckmin, é uma loucura. E não fizeram nada, tanto que se falou que não fizeram, mas que eles pensaram nisso. Mas não fizeram nada. Não executaram. Não é crime. E nem tentaram. Não é crime — insiste.
Para Costa Neto, o que realmente pesa na condenação de Bolsonaro são os episódios de 8 de janeiro de 2023, que ele classificou como apenas "bagunça".
— Era um bando de marginal com um pedaço de pau quebrando as coisas. Como que isso é golpe? Isso já tinha acontecido em Brasília, em alguns ministérios, essa invasão. É um absurdo falar que aquilo foi golpe, 80, 90, quase 100% do pessoal que estava na praça era tudo gente do bem — declarou.
Ele afirmou ainda que golpe se faz de forma armada.
— Vamos dizer que eles conseguissem efetuar o golpe. Quem ia ser ministro? O cara que quebrou o relógio? A "Débora do Batom" ia ser ministra da Fazenda? Então, aquilo nunca foi golpe. A gente faz, quando tem golpe, é com metralhadora, é com tanque de guerra, é desse jeito, não o que aconteceu — defende.
Sucessão de Bolsonaro nas eleições de 2026
Para Valdemar Costa Neto, antes de se falar sobre um possível sucessor de Jair Bolsonaro para as eleições presidenciais de 2022, é necessário buscar a "anistia".
— Vamos trabalhar na anistia, vamos dar vida nisso, para votar anistia.
De acordo com o cacique da legenda, caso o ex-presidente não tenha a inegibilidade revertida, será Bolsonaro quem escolherá os candidatos para vice e presidente pelo partido:
— Se o Bolsonaro não puder ser candidato, ele vai escolher o sucessor, ele vai escolher o presidente e o vice. Nós devemos muito a ele.
Questionado sobre Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, para disputar a presidência em 2026, Costa Neto foi evasivo:
— Todos têm chance. Nós temos quatro governadores que se destacam. Nós temos o Tarcísio, temos o Ratinho, que tem 80% de aprovação. Nós temos o Caiado e temos o Zema, que tem uma aprovação bárbara. Agora, ele (Bolsonaro) vai escolher, depende dele.
"O Eduardo não tem conversado comigo"
Costa Neto diz que o Eduardo Bolsonaro não tem falado com ele. O filho do ex-presidente, que está nos Estados Unidos, seria um dos supostos responsáveis por instigar o governo de Donald Trump a impor tarifas de importação ao Brasil e sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas para o presidente do PL, Eduardo só quer ajudar o pai.
— O Eduardo foi para lá por desespero de ver o pai dele naquela situação. Nunca um cidadão foi humilhado tanto como o Bolsonaro no Brasil. Ele sai do governo, seis dias após tem dois helicópteros em cima da casa dele, Polícia Federal seis horas da manhã. E sabe por quê? Atrás de cartão de vacina.
Na opinião de Costa Neto, as penalizações impostas pelos EUA são reações ao posicionamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de "ser contra Israel e ser a favor do Irã".
— Os Estados Unidos dão a vida por Israel.
No entanto, nas cartas enviadas por Washington ao Planalto, consta o repúdio ao julgamento de Jair Bolsonaro e a menção a um déficit na balança comercial desfavorável aos Estados Unidos, quando na verdade os EUA têm superávit com o Brasil.
— Nós não podemos impedir que o Trump goste do Bolsonaro. Ele gosta do Bolsonaro porque ele conheceu o Bolsonaro quando era presidente. Eu acredito que se o governo fosse discutir com os Estados Unidos, vai ser bem recebido. O Trump deu tarifas altas para muitos países e negociou, abaixou, e eu acho que nós vamos conseguir isso também, não tenho dúvida disso, é só ter uma relação boa.



