
Este mês de setembro marca dois anos da enchente que atingiu o Vale do Taquari em 2023. Aquele foi o primeiro de três eventos climáticos extremos que devastaram a região em um período de oito meses, seguido pelas enchentes de novembro de 2023 e maio de 2024.
Os impactos nos municípios do Vale do Taquari desta sequência de tragédias climáticas foi tema nesta quarta-feira (10) do Tá na Mesa, tradicional evento empresarial realizado semanalmente pela Federasul. Representantes dos municípios da região participaram.
— A tragédia de setembro de 2023 foi muito significativa, causou perdas dolorosas, mas de certa forma preparou a região para as outras tragédias que viriam depois e que teriam gerado um número de mortes muito maior do que ocorreu. Além disso, as ações dos voluntários que se uniram para salvar pessoas e reconstruir as cidades deixou como legado um resgate de virtudes e valores morais — destacou Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul.
As lideranças do Vale do Taquari afirmaram que os efeitos destrutivos dos três eventos climáticos extremos ainda são muito presentes na região. Para o grupo, a principal necessidade que os municípios ainda enfrentam é a de reparos de infraestrutura.
— A infraestrutura é nossa prioridade, e aí elencamos diferentes necessidades dentro desse quesito. A conclusão das obras de reparo das estradas e pontes, a entrega das casas para os atingidos, para cessar o êxodo populacional, e a construção dos sistemas de proteção contra novas enchentes — ressaltou Ivandro Carlos Rosa, vice-presidente regional da Federasul no Vale do Taquari.
Na sexta-feira (12), a Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC VT) apresentará ao Instituto Ling uma nova leva de projetos em busca de recursos financeiros do programa Reconstrói RS, que a instituição criou junto da Federasul. A expectativa é obter anuência para investir os R$ 30 milhões que ainda estão no fundo do Reconstrói para a realização de 54 obras de drenagens, contenções e pontes que beneficiarão 28 municípios da região.
— A nossa expectativa é que dê tudo certo, e a gente possa tocar essas obras o mais rápido possível. O custo total é de R$ 43 milhões, mas o restante do valor será complementado pelas prefeituras, como contrapartida — aponta o presidente da CIC VT, Ângelo Fontana.
Outro projeto que mobiliza as lideranças da região é o da Ponte dos Vales. Orçada em R$ 280 milhões, a estrutura projetada ligaria os municípios de Cruzeiro do Sul e Estrela, conectando as rodovias BR-386 e RS-287. O objetivo dos proponentes é que a obra seja executada com recursos do Funrigs.
— Já apresentamos o projeto ao governador Eduardo Leite, e esperamos que o assunto avance ainda neste mês. Há a necessidade da construção de várias pontes na região, mas entendemos essa como uma prioridade fundamental, que beneficiaria o fluxo de todo o Vale do Taquari e do Rio Pardo, com reflexos até os municípios da Serra e do Planalto — defende o presidente da Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio (Cacis) de Estrela, Claus Wallauer.
