
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (23), que a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ocorrer por meio de um telefonema ou de uma videoconferência. Segundo Vieira, um encontro pessoal não será possível devido à agenda do brasileiro.
— Eu espero que o presidente Lula e o presidente Trump possam conversar. O presidente Lula está sempre pronto para conversar com qualquer chefe de Estado que esteja no interesse do Brasil — afirmou Mauro Vieira em entrevista para a jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional.
— Isso pode acontecer também por um telefonema ou videoconferência porque, infelizmente, o presidente está muito ocupado, ele tem uma agenda muito cheia, então talvez não seja possível se encontrar pessoalmente —completou.
Segundo o chefe do Itamaraty, o Brasil está disposto a negociar questões relacionadas à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, mas a "soberania e a independência dos Poderes brasileiros" não estão em negociação.
— O Brasil é um país de negociação e estamos sempre prontos para negociar— respondeu o chanceler.
Após o discurso de Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, os dois presidentes vão conversar na semana que vem. Segundo fontes ligadas ao brasileiro, a saudação foi "mútua", mas teria sido o norte-americano quem tomou a iniciativa de cumprimentar o chefe do Executivo brasileiro.
Trump menciona encontro durante discurso
No final de sua fala na 80ª Assembleia Geral da ONU, Trump mencionou o encontro breve com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva:
— Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem.
Trump começou o tema ao afirmar que "os Estados Unidos utilizam as tarifas como mecanismo de defesa". E após, citou o exemplo do Brasil, sem mencionar diretamente o nome de Jair Bolsonaro e o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
— O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos.
Em seguida, Trump disse que falou com Lula por 20 segundos e que os dois ficaram de conversar por mais tempo na próxima semana:
— Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 39 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal — disse, provocando risadas no plenário da ONU.
Lula, que acompanhava o discurso de Trump no plenário, mostrou-se surpreso com as declarações. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente após o "quebra-gelo" de Trump.


