
Ao lançar sua pré-candidatura à Presidência da República neste sábado (16), o governador de Minas Gerais (MG), Romeu Zema (Novo), admitiu que "ajustes" podem acontecer no caminho até o pleito do ano que vem.
— Eu já participei de duas campanhas, em 2018 e 2022, e sei que ajustes acontecem no caminho. Partidos mudam candidatos, reposicionam nomes. Hoje, a proposta é permanecer candidato — disse.
Ainda assim, Zema não descartou a possibilidade de vir a compor uma chapa com algum outro pré-candidato de direita e centro-direita. Ele afirmou que mantém uma relação próxima com Tarcísio de Freitas (Republicanos), a quem disse "admirar", e destacou que o governador de São Paulo tem uma aprovação excepcional.
Na avaliação de Zema, o cenário mais provável é o de a direita lançar vários pré-candidatos agora, mas se unir no segundo turno. Ressalvou, porém, que tudo dependerá das conversas políticas ao longo do caminho.
Brics é um "Frankenstein"
Ainda durante o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República, Zema defendeu a saída do Brasil do grupo Brics. Segundo o atual governador de Minas Gerais, o bloco de países em desenvolvimento é uma "colcha de retalhos", um "Frankenstein":
— Nenhum país original do Brics é da América Latina, sequer da América. Não faz sentido. Além disso, temos um governo do PT que prega democracia, mas se alia a ditaduras e regimes sem liberdade. O Brics está nesse contexto. Não é um bloco econômico, não traz benefícios claros. O Brasil precisa se aproximar de países democráticos ocidentais, que têm raízes culturais comuns conosco.
Zema ponderou que não defende o fim das negociações com países como Índia, China ou Rússia, ressaltando que acordos bilaterais continuam sendo possíveis. No entanto, destacou que a prioridade do Brasil deve ser fortalecer os laços com a Europa e a América do Norte, por haver, segundo ele, maior afinidade cultural, democrática e geográfica.
O chefe do Executivo mineiro ainda disse que enxerga três principais desafios para o país: dar o bom exemplo a partir da liderança, combater a "gastança" e enfrentar a criminalidade e a corrupção. Também defendeu a necessidade de união, em vez de perseguição a adversários.
A afirmação foi feita em meio ao contexto do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e endossado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Apesar de afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui responsabilidade nas sobretaxas, Zema tem dito que Eduardo causou um "problema para a direita" e que "um erro não justifica o outro".



