
Ao comentar a megaoperação deflagrada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) na quinta-feira (28), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um "recado" para o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou vai "mostrar a cara" de quem estiver envolvido com o crime organizado.
— A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país, e o ex-presidente (Jair Bolsonaro) que tome cuidado — disse em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.
O presidente classificou a operação deflagrada por uma força-tarefa envolvendo Ministério Público Federal, Ministério Público de São Paulo, Polícia Federal e Receita Federal como "a mais importante" da história do Brasil. O petista também prometeu endurecer investigações e o monitoramento as fintechs – empresas e bancos digitais que oferecem serviços financeiros.
A fala de Lula faz referência ao uso de fintechs e fundos de investimentos pelo crime organizado para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Um normativa publicada pelo governo federal no Diário Oficial da União desta sexta impôs as mesmas regras de bancos tradicionais às fintechs.
— Vamos colocar as fintechs com uma apuração mais rígida, porque nós descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado. E ontem (quinta) fizemos a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil para pegar, como diz o Haddad, o andar de cima — declarou.
— Por enquanto só ia no andar debaixo e, agora, queremos saber definitivamente quem faz parte do crime organizado. Quem fizer vai aparecer — prosseguiu.
A Receita Federal identificou operações do PCC em 40 fundos de investimentos, avaliados em R$ 30 bilhões e atuação na Faria Lima, coração financeiro de São Paulo.
Críticas a Eduardo Bolsonaro
Lula também voltou a pedir para a Câmara dos Deputados a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), parlamentar que reside nos Estados Unidos desde fevereiro. O filho do ex-presidente é acusado pelo petista de incitar o governo norte-americano a taxar o Brasil como tentativa de evitar a prisão de seu pai, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal a partir de terça-feira (2).
— Ele (Eduardo) não pode exercer o mandato dele (remotamente). Eu já falei com o presidente Hugo Motta e outros deputados de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país — declarou.
Após classificar Eduardo Bolsonaro como "o maior traidor da pátria do mundo", Lula também afirmou que o discurso utilizado por Donald Trump para taxar o Brasil não condiz com a realidade.
— Alias, um dos maiores traidores da pátria do mundo. Porque ele sai do Brasil, vai para os Estados Unidos denunciar o Brasil e ficar mentindo em relação ao Brasil. As acusações que o (Donald) Trump fez ao Brasil para fazer a taxação são todas inverídicas.
Anistia e Julgamento de Jair Bolsonaro
Em outro momento, Lula citou Jair Bolsonaro novamente. O petista voltou a contestar a proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2022 que a oposição busca aprovar no Congresso Nacional e falou sobre o julgamento do ex-presidente.
— Ninguém foi ainda condenado, o homem não foi nem julgado. Ele (Jair Bolsonaro) já esta querendo anistia. Ele já está dizendo que é culpado e está querendo ser perdoado. Não. Ele tem que primeiro provar a inocência dele. Ele está tendo o direito à presunção de inocência que eu não tive. Ele que se defenda e que prove que é mentira — disse.
O presidente ainda salientou que Bolsonaro será absolvido se provar que não cometeu nenhum crime.
— É assim que as coisas devem funcionar no Brasil. A justiça deve valer exatamente para todos.


