
Nove anos depois, o governo do Rio Grande do Sul e o Banrisul voltaram à mesa de negociação para discutir a venda da folha salarial dos servidores do Executivo. A transação tem potencial de injetar mais de R$ 1 bilhão de dinheiro extra no caixa do Estado em 2026.
Em atividade recente na Assembleia Legislativa, a secretária estadual da Fazenda, Pricilla Santana, disse que o Estado colocou, como preço mínimo para a venda da folha, o valor de R$ 1,2 bilhão para o negócio. O montante é o mesmo de 2016, quando foi firmado um acordo pelo período de 10 anos.
— O nosso contrato com o Banrisul para a administração da folha se encerra ano que vem. A gente está em processo de negociação com o banco. O último valor que a gente negociou foi R$ 1,2 bilhão, então esse é o valor que agora colocamos como piso. Não será menor do que isso. O presidente (do Banrisul) Fernando (Lemos) veio conversar comigo: de um lado, ele está querendo pagar barato; e eu quero vender caro. Mas, no final, a gente chegará a um acordo — disse Pricilla.

Banco tem preferência
De acordo com a secretária, a lei atual dá preferência ao Banrisul para a compra da folha estadual, desde que o banco pague valores de mercado ao Estado. Segundo Pricilla, se não houver renovação do negócio com o Banrisul, será aberta uma licitação para a venda da folha.
Procurado, o Banrisul não se manifestou sobre as negociações para nova compra da folha dos servidores do Executivo.
Cenário diferente
A lei que autorizou a venda da operação da folha ao Banrisul há quase 10 anos foi aprovada em um momento de crise nas finanças do Estado. Naquele momento, a injeção excepcional de R$ 1,2 bilhão nos cofres do Executivo permitiu ao governo de José Ivo Sartori pagar o 13º do funcionalismo.
Nos bastidores, uma fonte ligada ao banco afirmou que a compra da folha já não tem o mesmo peso que tinha em 2016 devido a mudanças de normas e de mercado, como o tabelamento de juros do cheque especial e do cartão de crédito, a extinção de tarifas e grandes modificações tecnológicas. Essas alterações tornaram mais difícil fidelizar os clientes.
A administração dos vencimentos de servidores públicos historicamente interessa aos bancos porque facilita às instituições financeiras a venda de operações com desconto em folha — como crédito consignado e crédito imobiliário.



