
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29), na Itália. Condenada a 10 anos de prisão, a parlamentar estava na lista de difusão vermelha da Interpol após ser considerada foragida depois de sair do Brasil.
No mesmo caso, Zambelli também foi condenada à perda de mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Trajetória
O nome de Carla Zambelli, uma das fundadoras do movimento "Nas Ruas", ganhou destaque durante os protestos em favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Nas eleições majoritárias de 2018, fez parte da base de apoio ao então candidato Jair Bolsonaro, eleito presidente na disputa com Fernando Haddad. Zambelli conquistou uma vaga na Câmara Federal pelo então PSL.
Em 2022, já pelo PL, Zambelli, fiel escudeira de Bolsonaro, foi reeleita com um número expressivo de votos: foi a segunda deputada federal mais votada de São Paulo.
Na véspera do segundo turno, Carla Zambelli foi filmada apontando uma arma contra um homem no cruzamento das alamedas Joaquim Eugênio Lima com a Lorena, na capital paulista.
Em imagens que circularam na internet, a parlamentar atravessa a rua com a arma em mão e entra em um bar atrás de um homem que fugia dela. Em seguida, ainda com a arma apontada, ela é tranquilizada por outro homem.
À época, o caso repercutiu dentro da ala bolsonarista, que viu o episódio como um fator que contribuiu para a derrota do ex-presidente, que buscava a reeleição. Deste episódio em diante, a relação com Bolsonaro esfriou até culminar em um afastamento público por parte do ex-presidente: "Tirou o mandato da gente".
Por este caso, ela é ré no STF por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques. O placar estava em 6 votos a 0 para condenar a parlamentar a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto.
Invasão ao sistema do CNJ
Um ano depois da reeleição, Zambelli era alvo de operação da Polícia Federal por invasão ao sistema do CNJ. Na ocasião, foi investigada junto com o hacker Walter Delgatti Neto e, por fim, condenada a 10 anos de prisão.
Conforme a Procuradoria-Geral da República, a deputada federal atuou em parceria com Delgatti para inserir documentos falsos na base de dados do CNJ — incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.




