
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, anunciou a realização de duas reuniões com setores industriais e do agronegócio nesta terça-feira (14), em Brasília. A medida faz parte da resposta brasileira ao tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Um primeiro encontro está marcado para as 10h, reunindo setores industriais que têm mais relação comercial com o Brasil, como empresas de aviões, aço, alumínio, celulose e máquinas, calçados, móveis, autopeças, por exemplo.
Um segundo grupo será recebido às 14h, contando com empresários do agronegócio envolvidos com produtos como laranja, carnes, frutas, mel, couro, pescado. Também estarão presentes ministros de outras pastas.
— Isso não vai se limitar a amanhã. Isso é o primeiro, conversa, mas nós vamos dar continuidade a esse trabalho — disse.
A informação sobre os encontros já havia sido antecipada pelo colunista de Zero Hora Matheus Schuch. As medidas fazem parte das ações do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, formado pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Casa Civil, Relações Exteriores e Fazenda para discutir o impacto da tarifa dos Estados Unidos no Brasil.
Ele será estabelecido com o decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade Econômica que, segundo o governo, deve ser publicado até terça.
O também ministro do Mdic disse que, neste primeiro momento, é preciso ouvir estes setores, e classificou o aumento como "inadequado".
— A responsabilidade é todo o empenho em rever essa questão (tarifa de 50% ao Brasil). Primeiro porque ela é totalmente inadequada. O Brasil não tem superávit com os Estados Unidos. O contrário, dos 10 produtos que eles mais exportam, oito, a tarifa é zero. Então nós vamos trabalhar junto com a iniciativa privada — disse.
Em resposta a jornalistas, Alckmin também afirmou que o governo brasileiro não pediu prorrogação de prazo aos Estados Unidos para a entrada em vigor da tarifa — prevista para 1º de agosto — nem diminuição de alíquota.
— Não tem procedência, o governo não pediu nenhuma prorrogação de prazo — afirmou.
Reuniões com empresas dos EUA
Alckmin disse que também serão marcadas reuniões com empresas dos Estados Unidos, pois há "integração em cadeia" entre as economias.
— Vou dar um exemplo: nós somos o terceiro comprador do carvão siderúrgico americano. Fazemos o aço plano e vendemos para os Estados Unidos. Aliás, fazemos o aço semi-plano e vendemos nos Estados Unidos, que faz o produto acabado, o motor, o automóvel — disse.
Alckmin também disse que realizou, no dia 6 de março, reunião, por meio de videoconferência, com o secretário de Comércio do governo norte-americano, Howard Lutnick, e o representante de Comércio, embaixador Jamieson Greer, estabelecendo, a partir desta data, canal de diálogo para abordar a pauta do comércio bilateral e as políticas tarifárias dos EUA.
Também estão previstas reuniões com entidades do comércio Brasil e Estados Unidos, como a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).



