
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo federal está trabalhando em um plano para evitar demissões em massa após a imposição da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante participação no programa Mais Você, da TV Globo.
Segundo Alckmin, a medida ainda está em elaboração e deve envolver outras pastas, com foco na proteção de empregos e nos setores mais afetados, como a indústria. De acordo com Alckmin, os detalhes do plano ainda não foram divulgados porque o presidente Lula “tem que bater o martelo”, mas garantiu que “ninguém vai ficar desamparado”.
Além de responder a perguntas de César Tralli, Ana Maria Braga e até do Louro Mané durante o café da manha mais famoso do país, Alckmin ouviu dúvidas de telespectadores que enviaram vídeos para o programa.
Durante as explicações, o vice-presidente afirmou que cerca de 35,9% das exportações brasileiras serão afetadas pela tarifa de 50%, anunciada pelo presidente Donald Trump.
Tralli mencionou que o setor do café, um dos mais impactados, emprega cerca de 2 milhões de pessoas e perguntou se há risco de demissões em massa. Alckmin respondeu:
— Os 35,9% efetivamente atingidos pela tarifa, dos 10% mais 40%, vamos lutar para diminuir. Não damos como assunto encerrado. Negociação mais forte começa agora. Segundo, vamos buscar alternativas de mercado. E terceiro, apoiar setores. Tem pescado muito atingido, mel, frutas, carne bovina e especialmente indústria. Essa é mais difícil de colocar. Tem indústria muito focada naquele mercado.
Haddad havia adiantado
O plano citado por Alckmin reforça o que já havia sido adiantado no início da semana pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Durante as negociações com os EUA, antes da entrada em vigor das tarifas, Haddad afirmou que o governo preparava um plano de contingência para proteger trabalhadores e empresas brasileiras.
Desemprego em queda
A fala de Alckmin ocorre no mesmo dia em que o IBGE divulgou um dado positivo sobre o mercado de trabalho. A taxa de desocupação no país foi de 5,8% no trimestre encerrado em junho, o menor índice para o período desde o início da série histórica iniciada em 2012.
Conforme o levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atingiu 6,3 milhões de pessoas no Brasil no segundo trimestre deste ano. Há uma redução do número absoluto, de 17,4% em relação ao trimestre anterior e de 15,4% na comparação com o mesmo período de 2024.
Cerca de 102,3 milhões de brasileiros tinham ocupação em junho, alta de 1,8% com relação ao trimestre anterior. Este também é o maior número da série histórica.
Impacto do tarifaço
Durante o programa, Alckmin defendeu que a medida norte-americana não beneficia ninguém.
— É um perde-perde. Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento, e encarece os produtos americanos — disse o vice-presidente, que explicou como a decisão dos Estados Unidos pode afetar a economia brasileira:
— É sobre o valor do produto que você importa, o que nós exportamos para os Estados Unidos. Os Estados Unidos não é o primeiro parceiro do Brasil, quem mais compra do Brasil é a China.
Apesar disso, ele destacou a importância do mercado norte-americano:
— É o primeiro investidor no Brasil, e é para onde a gente vende mais produto industrial, manufatura, valor agregado, avião, máquinas, motores. Então, por isso que ele é importante. Quando dizem que a tarifa vai ser 50% para entrar nos Estados Unidos, você tem que pagar para o governo americano 50% de tarifa, é injustificado.
O vice-presidente também citou a cadeia do café como uma das mais afetadas:
— Brasil é o maior exportador do mundo, maior produtor do mundo. Vai ter de buscar outros mercados, ou vamos trabalhar com os EUA, pois é um grande consumidor de café. E eles tomam aquele café grandão, eles precisam do nosso café arábica para o blend. Primeiro trabalhar para baixar a tarifa, eles não produzem café.
Entenda
A ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, que oficializa as tarifas de 50% aos produtos brasileiros, deixou de fora alguns produtos brasileiros. O decreto passa a valer a partir de 6 de agosto.
A lista inclui 694 exceções, como suco de laranja, aviões e drones, castanhas, minério de ferro, petróleo, carvão, óleos, madeira, celulose, móveis de metal e plástico. Produtos como madeira, celulose e equipamentos elétricos também ficaram de fora.
Aço e alumínio, que já haviam sido taxados em 50% nas importações com origem de todos os países, não foram incluídas na lista.
Por outro lado, itens como café, cacau, carne, tabaco, armas e frutas devem ser tarifados. Pela decisão norte-americana, setores como o de café, carne bovina e frutas sentirão o impacto com mais força. Os produtos ficaram de fora das exceções e seguirão com a incidência de uma alíquota adicional de 50% em suas vendas aos Estados Unidos.


